Prédios antigos viram ativos valiosos e impulsionam nova fase de revitalização do Centro do Rio

em Diário do Rio / Mercado Imobiliário, 16/outubro

De arranha-céus históricos a pequenos sobrados, a recuperação de imóveis atrai grandes incorporadoras e investidores independentes; projetos concluídos, vendas expressivas e novos negócios mostram que a transformação do Centro e da Glória está ganhando força.

Durante muitos anos, o envelhecimento dos edifícios do Centro do Rio parecia acompanhar o declínio econômico da região. Antigas sedes de bancos, companhias de seguros, empresas comerciais e repartições públicas foram perdendo ocupantes, enquanto sobrados que testemunharam os tempos de maior prosperidade da cidade permaneciam fechados, deteriorados ou reduzidos a uma utilização muito inferior à sua capacidade. Nos últimos anos, porém, o mercado imobiliário começou a olhar para esse patrimônio de outra maneira. Construções que antes despertavam pouco interesse passaram a ser disputadas por incorporadoras, fundos imobiliários e investidores de diferentes portes, interessados em transformá-las em apartamentos, hospedagens, escritórios modernos e estabelecimentos comerciais.

A mudança já produziu resultados concretos e vem adquirindo uma dimensão cada vez maior. O Centro do Rio está sendo revitalizado, e a recuperação dos seus edifícios antigos tornou-se uma das manifestações mais expressivas desse processo. Ainda que a transformação esteja longe de terminar, o volume de investimentos, a comercialização de empreendimentos residenciais e a chegada de novos agentes ao mercado demonstram que não se trata mais de uma promessa dependente exclusivamente de projetos futuros.

A lógica econômica ajuda a explicar o movimento. O Centro reúne uma localização privilegiada, extensa rede de transportes, proximidade de importantes equipamentos públicos e uma concentração extraordinária de construções erguidas ao longo de diferentes períodos da história carioca. Ao mesmo tempo, possui edifícios que já não atendem satisfatoriamente às exigências das atividades para as quais foram originalmente construídos. A recuperação desses imóveis permite aproveitar estruturas existentes e lhes conferir novas utilizações, muitas vezes preservando características arquitetônicas que representam um diferencial de mercado.

O fenômeno não começou agora. Já em 2020, o DIÁRIO DO RIO abordava a transformação de antigos edifícios comerciais em empreendimentos residenciais na reportagem “Retrofit: a nova tendência do mercado imobiliário carioca”. Naquele momento, projetos envolvendo o antigo Hotel Paysandu e o edifício da Rádio Globo, na Glória, indicavam que o mercado começava a descobrir novas possibilidades para construções que haviam perdido parte de sua utilização original.

A expressão retrofit, até então pouco conhecida fora do setor imobiliário, passou a aparecer com frequência crescente. Trata-se da modernização profunda de edifícios existentes, com atualização de instalações e adaptação de seus espaços às necessidades atuais. Em determinados projetos, a intervenção também modifica completamente a finalidade do imóvel, transformando antigos escritórios em apartamentos, por exemplo. A vantagem é aproveitar uma construção já implantada, embora o processo possa exigir investimentos consideráveis e soluções técnicas complexas.

A aprovação do programa municipal Reviver Centro, em 2021, representou um estímulo importante para esse mercado. Ao estabelecer incentivos à conversão de imóveis e à produção habitacional na região central, a Prefeitura ajudou a criar condições econômicas para empreendimentos que anteriormente encontravam dificuldades para se viabilizar. O movimento, entretanto, também resultou da iniciativa de empresários que já identificavam oportunidades no patrimônio imobiliário existente.

Um dos exemplos mais expressivos dessa transformação começou a tomar forma com a aquisição do antigo Hotel Glória, na Glória, pelo fundo imobiliário ligado ao Opportunity. O empreendimento, acompanhado pelo DIÁRIO DO RIO desde as primeiras negociações, ganhou impulso com o lançamento residencial em novembro de 2022. O histórico hotel, inaugurado em 1922 e fechado desde 2008, seria transformado em apartamentos, preservando sua fachada monumental e recuperando parte da importância arquitetônica que o consagrou como um dos grandes estabelecimentos hoteleiros do país.

A dimensão financeira do projeto ficou mais clara nos anos seguintes. Em agosto de 2026, o DIÁRIO DO RIO noticiou a conclusão do retrofit do Hotel Glória, convertido no Glória Residences, com 266 apartamentos. O investimento na obra chegou a aproximadamente R$ 400 milhões, quase o dobro do orçamento inicialmente estimado, enquanto o valor geral de vendas do empreendimento foi calculado em R$ 750 milhões. Em setembro, as primeiras chaves já estavam sendo entregues aos compradores. A recuperação de um dos edifícios mais conhecidos da Glória tornou-se, assim, um exemplo visível da capacidade de transformação do mercado, embora também tenha demonstrado a complexidade financeira de intervenções desse porte.

Na Praça Mauá, outra construção emblemática passou por movimento semelhante. O Edifício A Noite, inaugurado em 1929 e projetado pelo arquiteto francês Joseph Gire, começou a ser transformado em empreendimento residencial pela AZO. Antiga sede do jornal A Noite e endereço histórico da Rádio Nacional, o arranha-céu receberá 447 apartamentos, além de estabelecimentos comerciais, restaurante e mirante. As obras começaram em março de 2025 e, em novembro daquele ano, o projeto recebeu o Prêmio ADEMI na categoria Retrofit. Conforme noticiou o DIÁRIO DO RIO, a entrega estava prevista para 2027.

A recuperação do A Noite possui significado especial para a região portuária. Durante décadas, o edifício foi um dos principais marcos da paisagem da Praça Mauá, primeiro como símbolo de modernidade e depois como testemunha do esvaziamento de atividades econômicas do Centro. Sua transformação em residencial representa a possibilidade de devolver ocupação permanente a uma construção que integra a memória urbana do Rio.

Em 2025, o movimento começou a produzir resultados cada vez mais visíveis também em edifícios de menor porte. Na Rua Gonçalves Dias, 46, ao lado da tradicional Confeitaria Colombo, foi entregue em junho o Dias Downtown Studios, empreendimento que transformou um antigo prédio de escritórios de 15 pavimentos em 97 apartamentos compactos. O projeto, desenvolvido pela Lobie, pela Administradora Nacional e pela Gazal Empreendimentos, tornou-se um dos exemplos pioneiros de conversão residencial concluída com incentivos do Reviver Centro.

No mesmo ano, o antigo edifício da Mesbla, na Rua do Passeio, também entrou no radar dos investidores. A incorporadora Inti adquiriu o imóvel por R$ 21,7 milhões e lançou o Ora Residencial, prevendo a transformação da construção Art Déco, de 1934, em um condomínio com 191 apartamentos. O interesse comercial foi expressivo: todas as unidades foram vendidas nas primeiras 24 horas após o lançamento, em abril de 2025.

A trajetória posterior da Mesbla, entretanto, mostrou que o sucesso das vendas não elimina os desafios de execução de uma obra de retrofit. Dificuldades financeiras da Inti levaram à paralisação de empreendimentos e, em agosto de 2026, o Grupo CTV assumiu a operação. Em reportagem publicada pelo DIÁRIO DO RIO em 13 de outubro de 2026, a nova responsável informou que ainda trabalhava para concluir a transferência dos ativos e reorganizar os projetos técnicos, com necessidade de rever o cronograma de entrega. Apesar das dificuldades, o grupo afirmou possuir recursos garantidos para concluir a transformação.

O episódio ilustra uma característica importante do novo mercado: a recuperação dos prédios antigos representa uma oportunidade concreta, mas exige conhecimento técnico, planejamento financeiro e capacidade de enfrentar imprevistos que nem sempre aparecem numa construção nova.

Outros empreendimentos, por sua vez, alcançaram rapidamente a etapa de entrega. Em dezembro de 2025, a região da Saara recebeu o Bueno Studios Lifestyle, na Rua Buenos Aires, 283, desenvolvido pela Construtora Calçada e pela Montserrat. A transformação do edifício resultou em 112 estúdios residenciais e nove lojas, totalizando 121 unidades. Segundo reportagem do DIÁRIO DO RIO, os apartamentos haviam sido vendidos em aproximadamente quatro horas no lançamento, e as obras foram concluídas em 17 meses.

Também na Glória, a procura por imóveis recuperados começou a produzir resultados expressivos. A Valente Empreendimentos, que havia convertido o antigo edifício da Rádio Globo, na Rua do Russel, em residencial, lançou em 2025 o Oriá, projeto de recuperação do imóvel anteriormente ocupado pela Fundação Cecierj, nas proximidades do Chafariz da Glória. Fechado havia cerca de uma década, o edifício foi destinado à criação de 118 unidades residenciais. Em outubro de 2025, a incorporadora informou ter comercializado 90% dos apartamentos no primeiro dia de vendas.

O avanço desses projetos veio acompanhado de uma valorização imobiliária importante na Glória. Conforme levantamento do Secovi Rio divulgado pelo DIÁRIO DO RIO em agosto de 2026, o preço médio anunciado do metro quadrado residencial para venda subiu 23,7% entre julho de 2021 e julho de 2026. No mercado de locação, o crescimento nominal dos valores anunciados chegou a 91,2% no mesmo intervalo. Embora influenciados por diferentes fatores econômicos, os números ajudam a dimensionar o interesse crescente por um bairro que reúne edifícios históricos, ligação direta com o Centro e localização privilegiada na Zona Sul.

A transformação imobiliária, entretanto, não ficou limitada à construção de apartamentos. Durante 2026, novos investimentos demonstraram que prédios antigos também podem voltar a ser competitivos no próprio mercado corporativo. O Edifício Aliança da Bahia, no Castelo, passou por uma ampla recuperação conduzida pela Construtora Internacional, com investimento de aproximadamente R$ 100 milhões, e foi escolhido para sediar a CASACOR Rio 2026. O empreendimento preservou sua arquitetura modernista e voltou a atrair empresas interessadas em escritórios atualizados.

A mesma construtora adquiriu o Edifício Boa Vista, nas proximidades da Candelária, projetado por Oscar Niemeyer e inaugurado em 1948. Em setembro de 2026, a empresa detalhou ao DIÁRIO DO RIO os planos de recuperação do imóvel, com investimento estimado em R$ 100 milhões e conclusão prevista para 2028. Nesse caso, o objetivo não é converter escritórios em moradias, mas modernizar a construção para que volte a disputar espaço no mercado de locações corporativas.

Os exemplos mostram que a recuperação do patrimônio construído não possui uma única fórmula. Dependendo da localização, da estrutura e das características arquitetônicas de cada imóvel, a melhor alternativa pode ser residencial, comercial, corporativa ou mesmo uma combinação de diferentes utilizações.

Mas uma das mudanças mais interessantes observadas recentemente no Centro não envolve grandes incorporadoras ou investimentos de centenas de milhões de reais. Trata-se da chegada de pequenos e médios investidores que começaram a procurar sobrados históricos e edifícios de menor porte, especialmente nas ruas tradicionais da região.

Um levantamento do movimento imobiliário acompanhado pela Sérgio Castro Imóveis, uma das maiores e mais tradicionais empresas de administração e corretagem imobiliária da cidade, aponta para a presença crescente desse perfil de comprador. São investidores interessados em construções antigas que possam ser transformadas em pequenos empreendimentos residenciais ou apartamentos destinados à hospedagem de curta duração, conhecida no mercado como short stay.

A tendência foi abordada em reportagem do portal especializado Metro Quadrado, publicada em 13 de outubro de 2026, que registrou negociações conduzidas pela Sérgio Castro Imóveis envolvendo entre quatro e cinco propriedades na Rua da Carioca. Os interessados pretendem aproveitar os pavimentos superiores dos sobrados históricos para criar apartamentos compactos, preservando as características arquitetônicas que tornam esses imóveis especialmente atraentes.

O fenômeno revela uma mudança importante no perfil dos investimentos. Se os grandes retrofits transformam edifícios inteiros, os pequenos negócios podem recuperar gradualmente o conjunto de sobrados que forma a paisagem tradicional do Centro. Na Rua da Carioca, na Rua do Teatro e em outros endereços históricos, o mercado começa a enxergar valor não apenas na metragem disponível, mas também na beleza das fachadas, no pé-direito elevado, nos elementos decorativos e na história que acompanha cada construção.

Esse conjunto de características confere aos imóveis aquilo que investidores internacionais frequentemente chamam de character: uma personalidade arquitetônica própria, capaz de diferenciar um empreendimento de hospedagem ou residencial dos produtos convencionais. Em uma cidade de forte vocação turística como o Rio de Janeiro, essa identidade pode representar uma vantagem comercial.

Outro atrativo está no custo de manutenção. Diferentemente dos grandes edifícios comerciais, muitos sobrados inteiros não possuem despesas condominiais convencionais. Além disso, a legislação carioca prevê a possibilidade de isenção de IPTU para imóveis reconhecidos como de interesse histórico ou cultural, desde que estejam preservados e atendam às exigências legais. O benefício depende do cumprimento das condições estabelecidas pelo Município e não dispensa as despesas de conservação e funcionamento, mas pode representar uma economia importante para determinados empreendimentos.

Na reportagem do Metro Quadrado, Cláudio André de Castro, diretor da Sérgio Castro Imóveis, destacou justamente a atratividade econômica desses imóveis, associando a ausência de despesas condominiais convencionais à possibilidade de isenção tributária para construções históricas adequadamente conservadas.

Na vizinha Rua do Teatro, essa nova modalidade de investimento já começa a adquirir maior escala. A House RJ, empresa pertencente a um grupo de investidores do qual participa a Sérgio Castro Imóveis, desenvolve um empreendimento que prevê a transformação de sete prédios em 43 apartamentos, com sete lojas comerciais nos pavimentos térreos. A iniciativa exemplifica como grupos privados de menor porte também estão participando do processo de recuperação imobiliária, aproveitando construções históricas para criar produtos adaptados à demanda contemporânea.

A valorização desse patrimônio não está acontecendo isoladamente. O Centro também vem passando por uma renovação gastronômica, cultural e turística que ajuda a ampliar o interesse por seus imóveis. A Rua do Senado, com seus restaurantes, antiquários, bares e casas de samba, consolidou-se como um dos novos polos de convivência da cidade. Empreendimentos como o Mercado Central, a Destilaria Maravilha e o Quintal da Clementina passaram a atrair frequentadores para a região, enquanto o Beco do Bragança ganhou galerias, lojas de decoração e estabelecimentos gastronômicos. Na Rua da Carioca, a implantação de um polo de cervejarias artesanais também vem contribuindo para recuperar o movimento de uma via que perdeu estabelecimentos tradicionais ao longo dos últimos anos.

O renascimento gastronômico e cultural possui reflexos importantes sobre o mercado imobiliário. A chegada de novos estabelecimentos, o crescimento do turismo e a realização de eventos ampliam a circulação de pessoas e ajudam a tornar determinadas ruas mais atraentes para novos investimentos. Ao mesmo tempo, a recuperação de sobrados e prédios comerciais permite instalar negócios que aproveitam justamente a arquitetura histórica como elemento de identidade. Forma-se, assim, uma relação de fortalecimento mútuo: as atividades culturais e gastronômicas contribuem para a valorização dos imóveis, enquanto os investimentos imobiliários oferecem novas possibilidades de ocupação e utilização das construções antigas.

Os números do programa Reviver Centro ajudam a dimensionar a transformação em andamento. Segundo dados do Sinduscon divulgados pelo DIÁRIO DO RIO em setembro de 2026, aproximadamente 3,7 mil unidades residenciais estavam concluídas ou em construção na região, de um total de 8.903 unidades licenciadas entre 2021 e julho daquele ano. A distinção é importante: o número de unidades licenciadas demonstra o tamanho da carteira de projetos, enquanto o contingente já entregue ou em obras revela a parte dessa transformação que efetivamente avançou. https://diariodorio.com/economia/mercado-imobiliario/2026/09/06/centro-do-rio-tem-37-mil-moradias-prontas-ou-em-obras-e-atrai-novos-restaurantes.html

E o mercado continua preparando novos empreendimentos. Um dos projetos mais ambiciosos é a transformação do Edifício Barrosão, antiga sede administrativa da Econômica Federal, na Avenida Almirante Barroso. A Nigri Incorporadora pretende converter a construção em um empreendimento de aproximadamente 800 unidades, com áreas residenciais, comerciais e de lazer. Em setembro de 2026, a empresa informou ao DIÁRIO DO RIO que trabalhava com a previsão de lançamento em março de 2027 e início das obras naquele ano.

A dimensão do Barrosão mostra que o interesse pelos grandes edifícios antigos continua elevado. Ao mesmo tempo, as negociações envolvendo pequenos sobrados revelam que o movimento está alcançando segmentos do mercado que anteriormente não participavam com a mesma intensidade desse tipo de transformação.

Para o Centro do Rio, essa combinação tem importância especial. Ao longo das últimas décadas, o esvaziamento de imóveis comerciais contribuiu para reduzir a ocupação de edifícios inteiros e enfraquecer economicamente diversas ruas. A transformação de escritórios em apartamentos, a recuperação de sobrados e a modernização de prédios corporativos representam caminhos distintos para reverter parte desse processo.

O avanço não significa que todos os imóveis antigos tenham se tornado bons investimentos, nem que os problemas urbanos da região estejam superados. Cada projeto depende de condições próprias de aquisição, conservação, financiamento e utilização. Mas os empreendimentos concluídos, as vendas realizadas e os novos investimentos revelam uma mudança de direção que já pode ser constatada nas ruas e nos números do mercado.

Talvez a consequência mais importante desse novo ciclo esteja na maneira como o Centro passou a ser percebido pelos próprios investidores. Durante muito tempo, possuir um edifício antigo na região podia representar o desafio de administrar uma propriedade com baixa ocupação e necessidade crescente de manutenção. Agora, em determinadas condições, a idade e a história da construção começam a funcionar como atributos capazes de agregar valor ao negócio.

A recuperação imobiliária do Centro do Rio ainda está em pleno desenvolvimento, mas já deixou para trás a fase em que dependia apenas de projetos anunciados e expectativas de futuro. Há apartamentos entregues, edifícios restaurados, empresas instalando-se em construções recuperadas, investidores adquirindo sobrados e novos empreendimentos sendo preparados.

Entre os arranha-céus da Avenida Rio Branco, os sobrados da Rua da Carioca, os antigos edifícios comerciais do Castelo e os casarões da Glória, a cidade começa a descobrir que uma parcela importante de seu futuro imobiliário pode estar justamente nas construções que herdou do passado. O Centro ainda tem muito a recuperar, mas a revitalização está acontecendo — e o mercado imobiliário já demonstra que acredita cada vez mais nela.


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