O mercado de São Paulo registrou forte avanço nos lançamentos imobiliários em agosto de 2026. Segundo o Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), a cidade contabilizou 17,8 mil unidades lançadas, alta de 90% em relação ao mesmo mês do ano anterior e 113% acima de julho. Nos últimos doze meses, foram lançadas 154,8 mil unidades, 25% a mais que no mesmo período anterior.
Apesar do aumento expressivo nos lançamentos, a velocidade de vendas (SoS) da cidade apresentou comportamento divergente. As vendas líquidas somaram 10,8 mil unidades, um avanço de 37% na comparação anual, mas a velocidade de vendas mensal recuou para 9,9%, queda de 0,9 ponto percentual em relação a agosto de 2025. Com isso, a cobertura de estoque subiu para 9,7 meses, contra 7,1 meses em agosto do ano anterior, indicando maior acúmulo de unidades disponíveis.
Baixa renda com lançamentos recordes, mas vendas desaceleram
O segmento de baixa renda liderou a alta nos lançamentos, totalizando 13,6 mil unidades em agosto — o maior volume mensal da série histórica, avanço de 131% na comparação anual. Esse segmento representa agora 77% do total lançado na cidade. Nos últimos doze meses, os lançamentos atingiram 107,3 mil unidades, 43% mais que um ano antes.
Porém, a velocidade de vendas mensal apresentou uma leve queda para 11,5%, contra 13,2% da média recente. As vendas líquidas cresceram 64% anual, mas tiveram redução de 2% na comparação mensal, somando 7,7 mil unidades. Entre as faixas de preço, imóveis entre R$ 275 mil e R$ 400 mil tiveram melhor desempenho, enquanto unidades abaixo de R$ 275 mil viram velocidade de vendas cair.
A cobertura de estoque também aumentou para 8,4 meses, ante 6,3 meses em agosto de 2025, sugerindo acúmulo mais rápido de inventário.
Média e alta renda crescem em lançamentos, com vendas mistas
No segmento de média e alta renda, os lançamentos cresceram 20% em doze meses, chegando a 4,1 mil unidades em agosto. As vendas líquidas somaram 3,1 mil unidades, queda de 3% anual, mas alta de 27% em relação a julho. A velocidade de vendas mensal avançou para 7,4%, superando a média anual do segmento.
Entretanto, o estoque continua elevado, com cobertura de 12,8 meses, acima do registrado no ano anterior. Imóveis entre R$ 401 mil e R$ 1 milhão mantiveram as melhores taxas de venda, mas unidades de maior valor, acima de R$ 2,25 milhões, mostraram desempenho mais fraco.
Análise e perspectivas do mercado imobiliário
A análise do Secovi-SP mostra um mercado com atividade aquecida em lançamentos, mas que enfrenta sinais de desaceleração nas vendas, principalmente nos segmentos de baixa renda e imóveis de alto valor. O aumento da cobertura de estoque indica que o ritmo de comercialização não acompanha o volume de lançamentos.
O cenário preserva um viés cauteloso para o setor, principalmente diante das taxas de financiamento imobiliário ainda elevadas, que podem continuar pressionando as vendas. Nesse contexto, a Cyrela (CYRE3) se destaca como principal escolha no setor, adotando uma estratégia que cobre tanto o mercado de baixa renda quanto o segmento de luxo.
A ação da empresa negocia a múltiplo atrativo de 1,3 vezes o preço sobre o valor patrimonial estimado para 2026, e o potencial ciclo de queda de juros funciona como catalisador, dado o forte impacto das taxas de juros de longo prazo sobre os resultados.