Coordenador do Secovi-SP fala sobre avanço do retrofit no Centro de São Paulo

em Secovi-SP, 18/agosto

O retrofit, modelo de reforma que recupera prédios antigos em vez de demoli-los, avança no Centro de São Paulo e se consolida como estratégia para atrair novos moradores à região. O SPTV 2ª Edição desta segunda-feira, 17 de agosto, exibiu matéria sobre o tema, com a participação de Eduardo Della Manna, coordenador executivo da vice-presidência de Assuntos Legislativos e Urbanismo Metropolitano do Secovi-SP.

A região central de São Paulo abriga dezenas de edifícios do início do século XX que resistiram às sucessivas ondas de verticalização da cidade. Muitos desses imóveis, porém, permaneceram anos vazios ou sem manutenção. O retrofit se apresenta como alternativa à demolição, recuperando os prédios antigos e adaptando-os a novos usos, como moradia e comércio.

A prefeitura de São Paulo criou benefícios como isenção de IPTU e descontos em outros impostos para incentivar esse tipo de reforma. O edifício Rodrigo Soares, na Rua Aurora, é um dos exemplos: foi entregue em agosto de 2024 após passar pelo processo. Moradores da região relatam que a reforma do comércio local e a abertura de novos restaurantes têm trazido mais movimento e segurança ao entorno.

O edifício Chrysler, na Praça da República, também passou por retrofit e somou 283 unidades habitacionais aos números oficiais da cidade. Ainda assim, parte dessas unidades é destinada à locação por curta temporada, o que expõe um dos principais desafios do processo: atrair moradores fixos para a região.

Em 2023, a prefeitura ampliou os incentivos com a criação do Programa de Subvenção Econômica, que permite ao poder público cobrir até 25% do custo da reforma sem exigir a devolução do valor pelo empreendedor. Somando todos os programas, 49 edifícios já foram contemplados com algum tipo de incentivo para o retrofit, mas apenas nove preveem moradias de interesse social.

Essa transformação do Centro começou a ser planejada em 1997, com a criação da Operação Urbana Centro, mais tarde substituída por um plano de intervenção mais específico, o PIU Central. Eduardo Della Manna, que representa o empresariado no conselho gestor do PIU Central, comentou a evolução entre as duas operações urbanas. “Uma característica fundamental que as duas operações apresentam é a importância que se dá pro repovoamento do Centro nas mais diversas faixas de renda”, afirmou.

Pela primeira vez, recursos da Operação Urbana Centro serão usados para uma obra de retrofit voltada à moradia social. São valores pagos por construtoras à prefeitura pelo direito de construir acima da altura permitida na região, que agora retornam como crédito para famílias com renda de até três salários mínimos. O prédio contemplado fica na Rua Sete de Abril, pertencia à prefeitura e já chegou a ser ocupado por movimentos de moradia. O imóvel passará por retrofit para se tornar residencial, e nos fundos do terreno será erguido um novo edifício. Ao todo, 18 milhões de reais do Fundo da Operação Urbana serão destinados a financiar a aquisição dos imóveis por 98 famílias.

Della Manna também destacou o papel da articulação entre poder público e iniciativa privada nesse tipo de projeto:

“Essa parceria possibilita que o governo municipal e o governo estadual atuem juntos, colocando a iniciativa privada, que tem esse know-how de construir mais rapidamente do que o poder público, a serviço da população mais carente.”

Assista a reportagem no link abaixo, a partir do minuto 9:25 até o 15:43.

Fonte: G1 / SPTV 2ª Edição
g1.globo.com/sp/sao-paulo/sp2/video/edicao-de-17082026-14876955.ghtml


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