As maiores empresas de shopping centers do Brasil estão buscando expansão fora dos centros de compras, segundo reportagem do Estadão. Allos, Multiplan e Iguatemi, que somam participação em 83 unidades, apostam em projetos de uso misto nos arredores dos empreendimentos para aumentar o fluxo diário e fortalecer as vendas dos lojistas. A estratégia combina moradias, escritórios, hotéis, centros médicos, faculdades e serviços.
Público ainda não voltou ao nível pré-pandemia
O movimento ganhou força porque a abertura de novos shoppings ficou mais limitada e a visitação ainda não retornou totalmente ao patamar anterior à pandemia. Segundo a Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers), o fluxo mensal era de 502 milhões de visitantes em 2019, caiu para 341 milhões em 2020 e chegou a 476 milhões no ano passado. Comércio eletrônico, home office e mudança de hábitos reforçaram a necessidade de gerar visitas mais frequentes.
Allos e Iguatemi escalam projetos em Campinas
A Allos anunciou 17 edifícios junto ao Shopping Parque D. Pedro, em Campinas (SP), com lançamentos previstos ao longo de 10 a 15 anos e VGV estimado em R$ 4,5 bilhões. A expectativa é atrair 30 mil pessoas por dia. O grupo já tem 72 contratos para prédios ao lado de 13 unidades no país.
Também em Campinas, o Iguatemi lançou o Casa Figueira, loteamento de um milhão de metros quadrados que prevê 100 edifícios em 20 anos e R$ 10 bilhões em vendas.
Modelo reduz capital e amplia conveniência
As companhias costumam estruturar parcerias com incorporadoras, cedendo terrenos e recebendo uma fração das vendas. Assim, preservam capital para investir nos próprios shoppings. A Multiplan, que também atua como incorporadora, fechou contratos para projetos no entorno de unidades no Rio de Janeiro (RJ) e em Canoas (RS).
Já o Grupo Baumgart prepara um bairro ao redor do Center Norte e do Lar Center, em São Paulo (SP), com torres residenciais e arena para 20 mil pessoas.