Após o imbróglio financeiro e as polêmicas envolvendo o abandono de obras em seis endereços da Zona Sul pela Inti Empreendimentos, parte dos projetos ganhou uma nova responsável. Como mostrou O GLOBO em abril, as construções de edifícios de alto padrão da incorporadora foram paralisadas em meio ao anúncio de falta de recursos feito por um dos sócios, André Kieffer. Compradores foram, então, à Justiça. O Grupo CTV assumirá o retrofit do Edifício Mesbla (atual Ora), no Centro, além das obras de outros dois condomínios da Zona Sul: O Cora, na Rua General Rabelo, na Gávea, e o Haus, na Rua Assis Bueno, em Botafogo. A empresa mira em R$ 4 bilhões em lançamentos no Rio.
O principal ativo adquirido pelo grupo foi o Ora, na Rua do Passeio. No ano passado, os apartamentos do residencial anunciado onde era o Edifício Mesbla foram vendidos em tempo recorde: 191 unidades em menos de um dia.
Em junho, o grupo XP concluiu a venda dos créditos para a Artesanal investimentos. Na nova fase, após assumir as obras, o Grupo CTV fará revisão técnica, jurídica e financeira de cada empreendimento, antes da retomada dos canteiros. Cronogramas de entrega terão novas datas. Também será definido quanto capital permanecerá protegido para cada obra.
"Parte da originação financeira será apoiada por estruturas de crédito vinculadas à Artesanal Investimentos, gestora com atuação em Fundos de Investimento em Direitos Creditórios, os FIDCs. A combinação busca resolver um problema frequente em ativos estressados: imóveis bem localizados e até vendidos podem perder valor quando a incorporadora responsável não consegue financiar a continuidade da construção", informa a construtora em comunicado.
O comprador de um apartamento no antigo Edifício Mesbla, no Centro, contou ao GLOBO que, após o anúncio de falta de recursos feito pela Inti em abril, preocupou-se com seu investimento. Na Zona Sul, o problema teve ainda maior dimensão: mais de 70 apartamentos deixaram de ser entregues no prazo por conta da verba insuficiente. Pelo menos três adquirentes de apartamentos se revoltaram com os atrasos e com termos de rescisão apresentados pela Inti e foram à Justiça. Eles acusam a Inti, ainda, de falta de transparência em relação ao que postergou as obras, às constantes mudanças no cronograma de obras e à falta de retorno às tentativas de comunicação.
Felipe Videira, CEO do Grupo CTV, que assumiu o Ora e dois endereços da Zona Sul, diz que haverá rigor na revisão dos novos orçamentos:
— Os juros altos obrigam a incorporadora a ser mais rigorosa na compra, no orçamento e na gestão do caixa. Um ativo estressado só se transforma em oportunidade quando o preço de entrada, o capital para conclusão e o potencial de venda estão equilibrados. Nosso objetivo é aplicar essa disciplina para recuperar os projetos assumidos e construir uma carteira sólida para o próximo ciclo do mercado imobiliário — diz Videira.