A continuidade da greve dos funcionários da Caixa Econômica Federal tem gerado um cenário de paralisação e incertezas no mercado imobiliário no Rio de Janeiro e no Brasil. Enquanto instituições privadas nem chegaram a aderir ao movimento e o Banco do Brasil resolveu a situação de forma rápida, a Caixa permanece como o único banco com as atividades afetadas por conta de discordâncias internas da categoria.
O DIÁRIO DO RIO conversou com um correspondente bancário, que optou por não se identificar, e ele destacou algumas dificuldades e impactos no mercado imobiliário.
"Nesse momento, a Caixa foi o único banco que sobrou dos bancos que fizeram greve ou ameaçaram fazer greve. Os privados ameaçaram e nem entraram. O Banco do Brasil entrou rapidamente, acho que um, dois dias resolveu. E os funcionários Caixa não estão querendo aceitar acordo", relatou uma fonte do setor imobiliário.
De acordo com o relato, o impasse persiste devido ao posicionamento dos próprios colaboradores do banco público, mesmo diante de acenos das entidades representativas. "Hoje o sindicato quer fazer o acordo, querem aceitar a proposta atual, mas os funcionários não querem.", explicou.
Impacto Direto na Cadeia Imobiliária
A paralisação no atendimento e no processamento de contratos afeta diretamente a rotina de corretores, imobiliárias, compradores e vendedores, criando um gargalo operacional em diversas etapas da negociação.
"Aí o que acontece? O corretor, ele fica com os processos Caixa travados, consequentemente sem os comissionamentos. Consequentemente o cliente querendo comprar o seu imóvel, o vendedor querendo vender. A imobiliária tem prazo colocado em contrato, normalmente de até 60 dias para resolver toda a transação, inclusive o registro. Então tudo fica travado", destacou.
Insegurança e Riscos ao Consumidor
Além dos atrasos contratuais, a indefinição quanto ao término do movimento grevista tem levado clientes a avaliarem a migração do financiamento para outras instituições financeiras, decisão que pode resultar em custos elevados e perda de benefícios sociais.
"Com isso causa insegurança. Às vezes o cliente vai querer ir fazer para outro banco, porque não sabe quando a greve vai acabar. E aí ele vai pagar uma taxa mais cara. Pode ser que ele nem consiga ser aprovado, né? Em outro banco, por exemplo, não existe o Minha Casa, Minha Vida", alertou.