Seminário ‘Rio em Tempo Real: o Centro em Transformação’ debate os avanços nos cinco primeiros anos de Reviver Centro

em Câmara Municipal do Rio de Janeiro, 31/março

Encontro, mediado pela jornalista Berenice Seara, reuniu vereadores, representantes do poder público e empresários dos setores da construção civil e do mercado imobiliário.

A Câmara do Rio sediou, nesta terça-feira (31/03), o seminário “Rio em Tempo Real: o Centro em Transformação”, iniciativa do site Tempo Real em parceria com o parlamento carioca, que reuniu vereadores, representantes do poder público e empresários dos setores da construção civil e do mercado imobiliário. No encontro, mediado pela jornalista Berenice Seara, no Salão Nobre do Palácio Pedro Ernesto, foram discutidos os avanços dos primeiros cinco anos do Reviver Centro I e II, além dos próximos passos para a elaboração da terceira etapa do programa.

“O Centro do Rio deixa de ser passado para voltar a ser futuro. E a pergunta é direta: que Centro queremos construir? Revitalizar não é só ocupar, é criar vida, segurança, diversidade e desenvolvimento. O que está em jogo aqui não é apenas uma região, mas a capacidade do Rio de Janeiro de se reinventar”, introduziu Berenice Seara.

O vereador Pedro Duarte (PSD), presidente da Comissão de Assuntos Urbanos da Câmara do Rio, abriu o evento. “É muito importante esse debate sobre o nosso Centro Histórico e todo o seu entorno. Felizmente, acompanho o Reviver Centro desde o início. Começamos essa discussão legislativa em 2021, durante a pandemia, quando encontramos a região muito esvaziada. Ainda não superamos completamente esse desafio, é um trabalho constante, mas quem caminha pela Cinelândia, Avenida Rio Branco ou Praça Mauá, por exemplo, já percebe uma melhora significativa”, afirmou.

Pedro Duarte relembrou a concepção do projeto e destacou a importância de planejar os próximos passos. “O diagnóstico era de um estoque enorme de prédios comerciais com salas vazias e, observando o que vinha sendo feito no mundo, reconhecendo também o papel do então secretário Washington Fajardo naquele momento, a questão era: como transformar esses espaços em novos empreendimentos residenciais? Foi daí que surgiram o Reviver I, em 2021, o II, em 2023, e agora debatemos o Reviver III. Precisamos olhar para frente e discutir como aperfeiçoar o programa, para fortalecê-lo e consolidar o Centro como bairro residencial, atraindo empresas e gerando emprego e renda.”

O seminário foi dividido em dois painéis. O primeiro, “Reviver Centro 1 e 2: o futuro do Rio mora aqui”, contou com a participação da vereadora e 2ª vice-presidente da Câmara do Rio, Tânia Bastos (Republicanos); do presidente da Comissão de Assistência Social, Felipe Pires (PT); do secretário municipal de Desenvolvimento Urbano, Gustavo Guerrante; e do diretor da Plano 8 Arquitetura, Fernando Costa.

Assistência social

Os participantes abordaram como a revitalização da região central pode conciliar moradia, políticas públicas, investimento e responsabilidade social. O vereador Felipe Pires (PT) foi questionado sobre como garantir que a reocupação dialogue com a realidade de pessoas em situação de vulnerabilidade.

“Nós temos alguns desafios colocados. O primeiro deles, que salta aos olhos, é a população em situação de rua. Hoje, ela é muito expressiva no Centro do Rio, e precisamos tratar essa questão de forma clara e técnica. Precisamos de espaços menores, mais qualificados e próximos de onde essas pessoas estão, para acolhê-las melhor”, afirmou. “Também precisamos de albergues qualificados para trabalhadores que vêm ao Centro, mas não conseguem arcar com o custo de retorno para casa. Pensar o renascimento do Rio sem considerar a assistência social seria um erro. Por isso, é fundamental incluir essas pessoas no processo de transformação.”

Expansão do comércio

A vereadora Tânia Bastos (Republicanos) ressaltou a importância da requalificação da região na geração de empregos, com a chegada de novos moradores. “O desafio é grande. Já temos a maior parte da população vindo trabalhar no Centro, mas acredito que, com o aumento da ocupação residencial, empresas, comércios e serviços também vão se expandir”, afirmou. “Quando elaboramos o Reviver Centro, realizamos mais de 30 audiências. Ainda é um desafio, não só para o Executivo, mas também para o Legislativo, garantir que o Centro seja atrativo para todos. Mas quem passa pela região já percebe mais vida, não apenas durante o dia, mas também à noite.”

O secretário Gustavo Guerrante destacou resultados concretos do programa. “O Reviver é um processo jovem. Em 2021, a Câmara previu uma revisão bienal das mais de 60 iniciativas, já que o poder público não consegue abraçar tudo de uma vez. Ao longo desse período, foi possível identificar o que era crucial, como a transferência de potencial construtivo”, disse.

Mudança em legislação de mais de meio século

Ele também ressaltou a velocidade de crescimento do programa, que já licenciou 7,5 mil unidades, em comparação às cerca de 13 mil licenciadas no Porto Maravilha desde 2009. “Não podemos esquecer que, até 2021, não era permitido construir residenciais no Centro; mudamos uma lógica de mais de 50 anos. A expectativa é que, nos próximos anos, seja natural buscar um apartamento na Avenida Almirante Barroso ou na Nilo Peçanha, algo impensável há cinco ou seis anos. À medida que os moradores chegam, os serviços acompanham. Isso já é visível no Porto Maravilha, com mais gente vivendo, circulando e movimentando o comércio. O Centro caminha para se consolidar como um bairro residencial.”

Pluralidade

Fernando Costa, diretor da Plano 8 Arquitetura, destacou a diversidade de moradias criadas na região, capazes de atrair diferentes perfis, e definiu o programa como a maior Operação Urbana Consorciada em vigor na cidade. “Essa OUC, ao contrário de outras, não trata apenas da construção de habitações, mas também de serviços, cultura, revitalização de calçadas e limpeza urbana. É uma ferramenta urbanística extremamente vigorosa. E a revisão a cada dois anos é fundamental para corrigir rumos e aprimorar o processo.”

Ao fim do primeiro painel, os participantes apontaram prioridades para a continuidade do programa. Felipe Pires destacou a necessidade de incluir moradores históricos da região, como os do Morro da Providência. Tânia Bastos defendeu a preservação ambiental e melhorias na acessibilidade. Guerrante enfatizou o enfrentamento à violência e à sensação de insegurança. Já Fernando Costa ressaltou a importância de atrair mais eventos para fortalecer a relação da população com o Centro.

O papel da Câmara

No segundo painel, “Reviver Centro 3: como avançar”, os convidados discutiram os resultados das fases anteriores e as diretrizes do desenvolvimento do Rio até 2034, previstas no Plano Diretor. Participaram o presidente da Câmara, Carlo Caiado (PSD); o 1º secretário da Mesa Diretora, Rafael Aloísio Freitas (PSD); o diretor da W3 Engenharia, Flávio Wrobel; o diretor da Sérgio Castro Imóveis, Cláudio André de Castro; e o CEO da Piimo, Marcos Saceanu.

O vereador Rafael Aloísio Freitas destacou o papel da Câmara no aperfeiçoamento de projetos do Executivo. “Precisamos dar essa pitada popular para garantir que propostas, que já chegam tecnicamente robustas, sejam aprimoradas. O vereador está na linha de frente, em contato direto com a população, ouvindo e compreendendo a realidade de cada cidadão. Assim, contribuímos para que o texto final esteja o mais próximo possível da perfeição.”

Reviver III deve focar no comércio

O presidente Carlo Caiado afirmou que a próxima etapa deve incentivar a retomada do comércio. “A ideia para o Reviver Centro III é dar mais vida ao comércio, aos bares, restaurantes, escolas e supermercados da região. Há muitas lojas fechadas e imóveis com IPTU elevado. Queremos criar incentivos para que esses espaços sejam ocupados”, disse, citando como exemplo o possível reuso de agências bancárias, hoje menos demandadas devido à digitalização dos serviços.

Cláudio André de Castro, diretor da Sérgio Castro Imóveis, apontou desafios para a ocupação de espaços comerciais ociosos e possíveis caminhos de incentivo. Segundo ele, muitos prédios têm propriedade fragmentada, o que dificulta negociações, além dos altos custos de condomínio, água, esgoto e IPTU. “Temos lojas de 1.500 m² perfeitas para supermercado ou academia, mas com condomínio de R$ 28 mil e IPTU de R$ 25 mil por mês. Como viabilizar?”, questionou.

Ele também ressaltou a importância do cuidado com o espaço público para atrair visitantes e investidores. “É fundamental que o poder público e o Legislativo promovam ações que aumentem a atratividade econômica e incentivem o cuidado com os espaços urbanos. Trabalho no Centro todos os dias e é possível perceber que áreas bem cuidadas, como a Orla Conde, já são um sucesso. Na Rua do Ouvidor, por exemplo, o fluxo de pessoas cresce a cada semana.”

Ampliação do programa

Flávio Wrobel destacou a necessidade de ampliar as áreas receptoras de potencial construtivo e os incentivos fiscais na região. “O Reviver é um sucesso e deixa um legado importante para a cidade. Agora, precisamos expandir as áreas receptoras e direcionar esse potencial para novas regiões. Hoje, há concentração em bairros como Ipanema e Copacabana, mas é fundamental viabilizar esse instrumento em outras áreas, como a Tijuca. Um sucesso acaba impulsionando outro.”

O CEO da Piimo, Marcos Saceanu, ressaltou a importância da manutenção dos incentivos para novos empreendimentos. “Se analisarmos os lançamentos e vendas no Rio entre 2023 e 2025, houve crescimento de 46%, enquanto a média nacional foi de 29%. Em um recorte de quatro anos, o Rio cresce 100%, contra 40% no país. Esse resultado vem das ideias, da ousadia e da capacidade de inovação do Executivo e do Legislativo”, afirmou. “Alcançar 7,5 mil unidades é expressivo, mas o mais importante é a disposição de avançar ainda mais.”

O arquiteto urbanista e ex-secretário de Planejamento Urbano Rio, Washington Fajardo, também acompanhou o seminário.

Número de licenciamentos bate recorde

De acordo com a Prefeitura, desde a criação do Reviver Centro, em 2021, já foram emitidas 71 licenças, correspondentes a 7.664 unidades residenciais e 82 não residenciais, totalizando 443 mil m² de área construída. Apenas em 2025, foi registrado recorde: 22 licenças concedidas, somando 3.298 unidades e mais de 194 mil m² de área construída.


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