A vista, à beira da piscina no roof top do prédio, será privilegiada. De um lado, os futuros moradores poderão observar a histórica Igreja da Candelária e do outro, a Baía de Guanabara. E, ao redor, o que não falta são opções de lazer como o Centro Cultural Banco do Brasil, o espaço cultural dos Correios e a Casa Brasil (antiga Casa França-Brasil). A partir de abril, o edifício João Úrsulo Coutinho, um imóvel comercial projetado por Lúcio Costa, na Praça Pio X, começa a ser transformado no residencial Brise Studios Design. A previsão é que a reforma, em fase de detalhamento, acabe em outubro de 2027.
Das 119 das unidades, 97 foram vendidas na planta, com preço médio de R$ 420 mil. São estúdios com áreas que vão de 29 a 39 metros quadrados. Entre os investidores, esse trecho da cidade começa a ser conhecido como a “Zona Sul do Centro”.
— A localização é excelente, de fácil acesso. Além da oferta de lazer, o entorno tem estações de metrô e linhas de ônibus, que permitem um deslocamento rápido para outros pontos da cidade — disse Vasco Rodrigues, presidente da Fator Towers Engenharia e Construtora, responsável pelo projeto do Brise em parceria como Grupo Prima e a Cix Capital.
O Brise mostra que projeto Reviver Centro, criado em 2021 pela prefeitura para dar um perfil mais residencial à região, levou o mercado imobiliário a descobrir um reduto no bairro com grande potencial de valorização. A Cix Capital mapeou outros nove prédios na vizinhança que podem ser convertidos em moradias ou usados para locação por temporada, como explica Carlos Balthazar Nonato Summ, responsável pelas operações da construtora:
— Hoje o principal perfil de compradores nessa região é de investidores que querem alugar os imóveis seja em contratos mais longos ou para atender a demandas de aplicativos como o Airbnb. Mas famílias interessadas em morar na região para ficar mais perto do trabalho também têm procurado essas oportunidades.
Outros investimentos
Um segundo projeto, ainda em fase de lançamento, já foi autorizado pela prefeitura na Rua da Candelária. A reocupação progressiva dessa região coincide com outros investimentos, mas em iniciativas comerciais. O Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac-RJ) comprou um prédio na Avenida Presidente Vargas, a poucos metros da Igreja da Candelária, que será convertido em um hotel-escola. As obras devem começar nos próximos meses, e a previsão é que o espaço seja aberto ao público em meados de 2027.
— O imóvel estava deteriorado. Além de receber hóspedes terá três andares de um novo centro de convenções e restaurantes para qualificar mão de obra que já trabalha com serviços de hotelaria. Na certa, entre os clientes, haverá moradores e ocupantes desses novos residenciais — explicou o assessor da presidência da Fecomércio, Otávio Leite.
Por sua vez, o Serviço Social do Comércio (Sesc) adquiriu três prédios também na região. Um deles é o Vista Olímpica, também na Avenida Presidente Vargas, na altura da praça onde fica a pira olímpica. No edifício, funciona desde 2024 o Cápsula, centro de inovação voltado para a formação de mão de obra da indústria criativa. Os outros imóveis ficam na Praça Pio X: um foi a sede do Banco Safra e outro abrigou um campus da Universidade Candido Mendes.
O interesse pela área pode levar a uma nova reforma urbanística no entorno. O secretário de Desenvolvimento Econômico, Osmar Lima, diz que a prefeitura analisa propostas da iniciativa privada para bancar obras de reurbanização na Praça Pio X.
— Um dos focos seria rever o acesso de carros ao entorno da igreja, para ampliar as calçadas. Na última reforma, foram implantados retornos para quem circula pela Avenida Presidente Vargas, que são pouco utilizados — explicou.
Além da infraestrutura de transporte e lazer, o entorno da Praça Pio X é marcado por fatos históricos. Foi perto da Igreja da Candelária, que 1,2 milhão de pessoas se reuniram em abril de 1984, ainda durante o regime militar, para pedir a volta das eleições diretas para presidente da República, o que só aconteceria em 1988. O local também é o marco de uma tragédia: a Chacina da Candelária, em 23 de julho de 1993, quando oito jovens foram mortos. Policiais militares foram acusados do crime. Na década passada, com as obras do Porto Maravilha, o Elevado da Perimetral, que ficava entre a igreja e a Baía, foi demolido, criando uma nova esplanada no Centro do Rio.
Em cinco anos, 66 licenças
De acordo com o painel de monitoramento do Reviver Centro, de 2021, quando o programa da prefeitura começou, até o último dia 5, 11 licenças foram emitidas para novas construções e 55 para conversões de imóveis. Ao todo, essas autorizações são para 7.414 unidades residenciais e 80 comerciais. Em dezembro, o destaque foi a concessão da licença para o antigo prédio da Caixa Econômica Federal, na Avenida Almirante Barroso, ser convertido em um residencial, depois de dois meses de análise do pedido.
A prefeitura ainda analisa mais 25 pedidos de licença, sendo dois de construção nova e 23 para converter prédios comerciais em 1.153 apartamentos e 27 lojas. Em dezembro, foi incluído na lista o Edifício Standard, de 1935, que foi sede da Esso. O arquiteto Robert Prentice, que assina o prédio, foi o mesmo que projetou o Edifício Itaoca, em Copacabana, e a Central do Brasil.
Entre os incentivos fiscais oferecidos pelo programa da prefeitura está a isenção do Imposto de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) na primeira venda das unidades. Além disso, o imóvel fica livre da cobrança de IPTU durante a obra e, nos três anos seguintes à concessão do habite-se, há um desconto de 50% sobre o valor do tributo.
