Bairro do Santo Cristo concentra grande movimento do mercado imobiliário no Centro do Rio

em CBN / Rio de Janeiro, 3/fevereiro

Foram 3.420 unidades residenciais lançadas e 2.460 vendidas, uma taxa de absorção de 71,9% apenas em 2025.

O bairro de Santo Cristo, na Zona Portuária do Rio, concentrou em 2025 um dos movimentos mais intensos do mercado imobiliário da região central. Foram 3.420 unidades residenciais lançadas e 2.460 vendidas, uma taxa de absorção de 71,9%.

Os dados são do Secovi Rio, sindicato que representa condomínios, administradoras, imobiliárias e incorporadoras da cidade.

E o Santo Cristo aparece hoje como o principal polo desse avanço, com moradores começando a receber as chaves dos apartamentos nos condomínios que vem sendo construídos na região.

O Alessandro da Conceição é microempreendedor e comprou um apartamento em um prédio residencial na região do Santo Cristo.

No edifício onde mora, ele conta que não há fachada ativa, ou seja, espaços no térreo preparados para que comerciantes possam se instalar.

Ele ressaltou que, apesar de não se arrepender do investimento, tem esperança de que a região cresça com a chegada de mais comércio e com reforço na segurança, somando esses fatores ao transporte público, que ele avalia de forma positiva.

’A região é uma oportunidade porque tá próxima de tudo. Mas em relação ao crescimento, acredito que ainda faltam algumas coisas. Sinto falta de um pouco mais de segurança. Quanto ao transporte, não tenho do que reclamar; o acesso aqui é bem farto, tem a Rodoviária e o VLT. Por ser um bairro novo, acredito que vá melhorar no futuro, mas hoje ainda faltam mercados, farmácias... falta quase tudo. Apesar disso, a gente acredita nessa evolução. Inclusive tem um terreno aqui do lado que dizem que vai ser um comércio.’

Já o Ricardo Ribeiro é corretor de imóveis e percebeu, no dia a dia de trabalho, o potencial de crescimento da região.

Ele também comprou um apartamento no Santo Cristo e destacou que a construtora em que trabalha possui diversos empreendimentos com fachada ativa, pensados justamente para receber futuros comércios e ajudar a atender a demanda dos novos moradores do bairro.

’Comprei meu apartamento em 2021, no primeiro lançamento residencial do Porto Maravilha, com a expectativa de valorização e de futuro, baseada no conceito de bairro planejado. Então a gente começa a ver essa movimentação de comércio, fora as dezenas de lojas que a própria construtora tá trazendo pra a região. Aqui ao lado mesmo tem um condomínio que foi vendido muito rápido. E no térreo, nós vamos trazer um shopping com mais de 2.700m² só de lojas. Então isso vai fomentar ainda mais o comércio, fora as diversas outras lojas na fachada de outros condomínios.’

A falta desses serviços básicos não afeta apenas quem já passou a morar no Santo Cristo, mas acaba impactando a dinâmica da região central, incluindo as demais áreas da Zona Portuária e a região central como um todo, que já registrou queda na venda de novas unidades.

Em 2024, foram lançadas 788 unidades residenciais na região, com 720 vendas, o que resultou em uma alta taxa de absorção de 91,4%.

Mas em 2025, os lançamentos caíram para 568 unidades e as vendas para 467, reduzindo a taxa de absorção para 82,2%, uma queda de 9,2 pontos percentuais.

Apesar do recuo, o índice segue alto, indicando que ainda existe demanda por moradia na região central do Rio, mas em um mercado mais cauteloso.

A ausência de comércio de bairro e de serviços funcionando em horários mais amplos contribui para que o entorno esvazie fora do horário comercial, especialmente à noite.

Em entrevista à CBN, Vasco Rodrigues, CEO da Fator Realty, uma incorporadora de prédios residenciais na região central, a ocupação residencial é determinante para mudar a dinâmica urbana e a percepção de segurança.

’Quando a gente tem unidades residenciais, a gente passa a ter vida noturna. Se forem apenas espaços comerciais, no horário noturno você passa a ter ruas vazias e sensação de insegurança. Portanto, a gente precisa continuar incentivando os investimentos imobiliários no centro para que essa ocupação residencial possa trazer pessoas circulando à noite, com prédios acesos e comércio de bairro aberto durante a noite ou até mais tarde, como mercados e farmácias’.

A chegada de novos empreendimentos comerciais, como o recém-reaberto Edifício Touring, na Praça Mauá, aparece nesse contexto como uma tentativa de estimular a circulação de pessoas e ampliar o uso da região além do horário comercial.

O prédio histórico virou um polo gastronômico e passou a integrar o esforço de reocupação da Zona Portuária, que também envolve grandes projetos residenciais em andamento.

José de Albuquerque é o CEO da Azo, responsável pelo retrofit do Edifício A Noite. Ele afirmou à CBN que o crescimento do número de moradores deve puxar comércio e serviços, mas avaliou que o funcionamento limitado dos estabelecimentos ainda trava esse avanço.

’Os próprios comerciantes estão percebendo esse movimento. Foram aproximadamente dez mil unidades lançadas nos últimos anos e agora quase três mil ficando prontas, ou seja, nos próximos cinco anos a população da região vai dobrar de tamanho. Um ponto que eu acho que deveria melhorar é o horário de abertura do comércio e serviço. Os restaurantes e o comércio fecham muito cedo. Manter o comércio aberto até oito ou nove da noite, e restaurantes até dez, onze ou meia-noite, mantém as pessoas por mais tempo na região e melhora a sensação de segurança’.

Dados da Associação de Supermercados do Estado do Rio, a ASSERJ, indicam que a região central do Rio concentra atualmente 14 lojas, com apenas uma loja de uma grande rede na região do Santo Cristo.

A entidade reconheceu que a expansão do varejo ainda está em andamento, afirmou que há demanda consistente e que há redes de supermercados com projetos em fase final pra abrir novas unidades no bairro.


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