CBIC: vendas imobiliárias crescem no país

em Sinduscon-SP / Imobiliário, 8/setembro

Minha Casa sustentou resultado no 1º semestre

O mercado imobiliário brasileiro encerrou o primeiro semestre de 2026 com crescimento nas vendas de imóveis residenciais novos, mesmo diante de um cenário de juros ainda elevados. De janeiro a junho, foram comercializadas 226.536 unidades, alta de 5,4% em relação às 214.910 unidades vendidas no mesmo período de 2025.

Os dados foram divulgados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção, com base em informações de 221 cidades, incluindo todas as capitais, regiões metropolitanas e os principais mercados imobiliários do país.

No segundo trimestre deste ano, foram vendidas 113.676 unidades residenciais, crescimento de 0,7% em relação ao primeiro trimestre de 2026 e de 5,3% na comparação com o segundo trimestre de 2025, quando haviam sido comercializadas 107.924 unidades.

Os lançamentos apresentaram comportamento mais moderado. Entre abril e junho de 2026, foram lançadas 107.161 unidades, crescimento de 2,6% em relação ao primeiro trimestre deste ano, mas recuo de 1,3% na comparação com o mesmo período de 2025. No acumulado dos primeiros seis meses de 2026, foram 211.651 unidades lançadas, praticamente estáveis em relação às 212.338 registradas no primeiro semestre de 2025, redução de 0,3%.

Dinâmicas distintas

Os lançamentos apresentaram dinâmicas distintas entre as regiões do país. Na comparação entre o segundo trimestre de 2026 e o mesmo período de 2025, o Nordeste registrou crescimento de 24,6%, seguido pelo Centro-Oeste, com 19,1%, e pelo Sudeste, com 1,2%. Em sentido contrário, houve retração de 25,1% no Sul e de 35,2% no Norte.

Nas vendas, o desempenho foi positivo em todas as regiões na comparação entre o segundo trimestre deste ano e o mesmo período de 2025. O Centro-Oeste apresentou a maior expansão, de 27,7%, seguido pelo Norte, com 15%, Nordeste, com 13,6%, Sudeste, com 1,3%, e Sul, com 0,2%.

Segundo o conselheiro da CBIC e diretor de economia do Secovi-SP, Celso Petrucci, a resiliência do setor diante do cenário econômico está relacionada, em grande parte, à força do Minha Casa, Minha Vida, “carro-chefe do mercado imobiliário nacional”, afirmou.

“Em relação ao primeiro trimestre, nós tivemos aumento de lançamentos e aumento de vendas. Em relação ao segundo trimestre do ano passado, tivemos uma pequena queda de 1,3% em número de unidades lançadas, mas com 5,3% a mais de vendas. Olhando para o semestre, temos uma estabilidade de 0,3%, mas também um crescimento de 5,4% nas vendas”, explicou.

Minha Casa, Minha Vida

O Minha Casa, Minha Vida (MCMV) respondeu por 58% de todos os imóveis residenciais lançados no país no segundo trimestre de 2026, maior participação do programa do governo nos lançamentos desde o início da série histórica, em 2019.

Foram 62.129 unidades do MCMV lançadas, ante 45.032 unidades dos demais padrões. Na comparação com o primeiro trimestre deste ano, os lançamentos vinculados ao programa cresceram 19,9%. Nos três primeiros meses de 2026, o MCMV representava 50% dos lançamentos.

“O Minha Casa, Minha Vida poucas vezes representou mais de 50% dos lançamentos e, neste trimestre, chegou a 58%, um patamar bastante significativo. O programa ganhou participação no mercado e ainda há espaço para avançar, podendo chegar a 60% ou até 65% dos lançamentos”, avalia Celso Petrucci.

A participação do programa também revela diferenças importantes entre as regiões. No segundo trimestre deste ano, o MCMV respondeu por 68% dos lançamentos no Norte, 66% no Sudeste, 60% no Nordeste e 52% no Centro-Oeste. No Sul, a participação foi menor, de 29%.

Das 113.676 unidades vendidas no segundo trimestre de 2026, 58.392 estavam enquadradas no Minha Casa, Minha Vida, o equivalente a 51% do total. O resultado representa crescimento de 5% em relação ao primeiro trimestre deste ano, quando as vendas do programa somaram 55.596 unidades.

Segundo Petrucci, a maior participação do programa também influencia os valores movimentados pelo mercado, já que os imóveis enquadrados no MCMV possuem, em geral, menor ticket médio.

Valores movimentados

O Valor Geral de Lançamentos (VGL) somou R$ 62,4 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta em relação aos R$ 61,4 bilhões dos três primeiros meses deste ano, mas queda de 23,1% na comparação com o segundo trimestre de 2025.

Já o Valor Geral de Vendas (VGV) ficou em R$ 66,2 bilhões entre abril e junho deste ano, praticamente estável frente ao primeiro trimestre de 2026, mas 5,5% abaixo do registrado no mesmo período do ano passado. O ticket médio dos imóveis vendidos ficou em R$ 581,9 mil, redução de 1% frente ao trimestre anterior e de 10,3% na comparação anual.

Oferta de imóveis recua

Ao final do segundo trimestre de 2026, havia 355.290 imóveis residenciais novos disponíveis para comercialização no país, redução de 2,1% em relação ao primeiro trimestre deste ano, quando a oferta era de 362.953 unidades. Na comparação com o segundo trimestre de 2025, entretanto, a oferta ficou 8,2% maior.

A redução da oferta ocorreu na maior parte das regiões na passagem do primeiro para o segundo trimestre de 2026. O volume caiu 9% no Norte, 6,5% no Centro-Oeste, 5,1% no Sul e 3,3% no Nordeste. O Sudeste foi a exceção, com crescimento de 1,1%.

Na comparação entre o segundo trimestre deste ano e o mesmo período de 2025, o quadro é diferente. A oferta disponível aumentou 17,8% no Sudeste e 13,1% no Centro-Oeste. No Sul, a alta foi de 0,6%, enquanto o Nordeste apresentou recuo de 0,4%. No Norte, a redução chegou a 15,8%.

No Minha Casa, Minha Vida, o programa encerrou o segundo trimestre deste ano com 137.151 unidades disponíveis, crescimento de 2,9% sobre o primeiro trimestre de 2026.

Os imóveis de dois dormitórios concentraram 65,2% das unidades residenciais vendidas no segundo trimestre deste ano, mantendo-se como a principal tipologia comercializada no país. Na sequência aparecem os imóveis de um dormitório, com 23,1% das vendas, os de três dormitórios, com 10%, e os de quatro dormitórios, com 1,8%.


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