Construtora ‘desiste’ de nova sede em Ipanema e transforma prédio em empreendimento corporativo de luxo

em Diário do Rio / Mercado Imobiliário, 11/agosto

Edifício ocupa terreno do antigo Hotel San Marco, terá até 23 espaços para locação e deve iniciar operação no fim de agosto.

Na contramão da onda de lançamentos residenciais que andam avançando por Ipanema, o bairro vai receber, nos próximos meses, um novo empreendimento corporativo – projeto que se tornou raro na Zona Sul. Tocado pela Balassiano, em parceria com a Safira, o Visconde Corporate Boutique (VCB) está na reta final das obras e tem início de operação previsto para o fim de agosto.

Localizado na Visconde de Pirajá, entre as ruas Aníbal de Mendonça e Garcia D’Ávila, o edifício ocupa o terreno onde funcionava o antigo Hotel San Marco. O projeto será destinado integralmente à locação, que ficará sob administração da própria Balassiano.

O empreendimento terá até 23 espaços comerciais, em duas configurações: meia laje, com 120 metros quadrados, e laje corrida, de 255 metros quadrados. A proposta mira empresas que buscam áreas maiores em uma região onde a oferta de escritórios desse porte é restrita.

A escassez de imóveis corporativos em Ipanema e Leblon foi, inclusive, um dos fatores que levaram à mudança de perfil do projeto. Segundo Gabriel Pecly, responsável por Novos Negócios da construtora, o terreno seria inicialmente destinado a um empreendimento residencial e, posteriormente, à sede da própria empresa. “Em 2023, quando buscávamos expandir a nossa sede, nos deparamos com uma situação inusitada: não havia praticamente nenhuma disponibilidade de espaços com mais de 250 metros em Ipanema ou Leblon. A vacância era zero. Diante disso, optamos por mudar o projeto para atender essa demanda reprimida” afirma.

Mercado corporativo

A entrega do VCB ocorre em meio à retomada da ocupação dos escritórios. Estudo da CBRE aponta que 86% das empresas já operam com ocupação presencial superior a 71%, ante 70% em 2023 e 82% em 2024.

Para Pecly, a recuperação acontece depois de dois movimentos que afetaram diretamente o mercado corporativo do Rio: a Operação Lava-Jato, com impacto especialmente no setor de óleo e gás, e a pandemia, que acelerou a adoção do trabalho remoto. “O segmento vem se recuperando após dois eventos significativos: primeiro, a operação Lava-Jato que atingiu diretamente o segmento de Óleo e Gás, principal atividade econômica do estado. Em seguida, a pandemia levou ao isolamento social e à adoção do trabalho remoto. Com o tempo, porém, as lideranças perceberam que o relacionamento interpessoal e a presença física estão diretamente ligados à produtividade, o que impulsionou o retorno aos escritórios e a absorção dos espaços disponíveis” avalia.

O executivo também cita a recuperação econômica, iniciativas de revitalização urbana e a transformação do Rio em um polo de tecnologia como fatores que podem favorecer o mercado. Outro movimento apontado por ele é a conversão de edifícios corporativos vazios em residenciais, estimulada por programas como o Reviver Centro, reduzindo a oferta de escritórios e, consequentemente, a vacância.

Projeto foi pensado para uso próprio

Inicialmente concebido para abrigar a própria sede da Balassiano, o projeto, assinado pela Cité Arquitetura, incorporou soluções que a empresa pretendia aplicar no próprio ambiente de trabalho. Entre os itens previstos estão vestiários nas áreas comuns, um elevador adicional, infraestrutura para bicicletas elétricas, gerador para as áreas comuns e previsão de geradores individuais para os espaços privativos, além de soluções de acessibilidade e conectividade.

“Se em todos os nossos projetos nos dedicamos a cada detalhe, neste fomos ainda mais criteriosos, já que seríamos usuários. Pensamos em soluções que vão desde o bem-estar dos colaboradores, com vestiários completos nas áreas comuns, até a eficiência operacional, como a inclusão de um elevador adicional para evitar filas” explica Pecly.


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