O agronegócio vem assumindo um papel destaque no mercado imobiliário de alto padrão, trazendo demandas específicas e uma lógica própria de consumo. Esta é a avaliação da Opus Incorporadora, especialista na região, em reportagem da Exame.
Segundo a Opus, o produtor rural que busca um imóvel urbano não se concentra apenas em cidades litorâneas, como Balneário Camboriú, e enxerga regiões, como Goiânia, uma base permanente. A capital oferece qualidade de vida, educação e acesso a serviços essenciais, como saúde.
Pagamento flexível no ritmo da colheita
Uma das principais diferenças desse público em relação ao comprador tradicional é a forma de pagamento. “A grande diferença do cliente do agro para os demais clientes é que ele busca um pagamento de acordo com a colheita. Alguns colhem uma, outros colhem duas vezes ao ano. Então eles preferem um fluxo mais concentrado nesse movimento”, afirma Gabriel Santos, gerente comercial da Opus.
Essa prática, segundo Santos, evita comprometer o caixa contínuo gerado pela lavoura, já que o retorno da atividade é significativamente maior do que os descontos para pagamentos à vista.
Adicionalmente, muitos preferem financiar diretamente com as incorporadoras, evitando recorrer aos bancos. “Isso porque evitam comprometer limites de crédito rural ou correr o risco de o Banco Central travar operações futuras ligadas à fazenda”, explica o gerente.
Imóveis amplos e infraestrutura funcional
A preferência do cliente agro também impacta o perfil dos empreendimentos. As unidades demandadas costumam ser grandes, com mais de 200 metros quadrados e projetadas para acomodar famílias com conforto e praticidade. “Elevador privativo e garagens com padrão GG são quase obrigatórios, principalmente por causa das caminhonetes de grande porte”, diz Santos.