Fortaleza supera São Paulo e já lidera a demanda por imóveis econômicos no País

em Portal IN, 9/setembro

Fortaleza ocupa posição de destaque no mercado imobiliário brasileiro neste segundo semestre de 2026. Pelo quarto trimestre consecutivo, a capital cearense lidera o ranking nacional de demanda por imóveis do segmento econômico, segundo a edição mais recente do Índice de Demanda Imobiliária (IDI Brasil), referente ao segundo trimestre deste ano.

Contando com uma amostra de 84 cidades, o estudo considera fatores como procura por imóveis, dinâmica econômica, oferta de empreendimentos de terceiros e potencial de absorção de novos projetos. Na faixa econômica – voltada a famílias com renda mensal entre R$ 2 mil e R$ 12 mil e imóveis avaliados entre R$ 115 mil e R$ 575 mil – Fortaleza alcançou nota 0,868 – superando São Paulo, com 0,839, e Curitiba, com 0,827.

Isso coloca uma capital nordestina à frente de dois dos maiores mercados imobiliários do Brasil nesse segmento e ocorre em meio a um período de forte movimentação do setor no Ceará. Dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), com base na Pesquisa do Mercado Imobiliário de Fortaleza e Região Metropolitana, realizada pelo Sinduscon Ceará, mostram que o setor movimentou R$ 4,784 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV) no primeiro semestre do ano.

O volume representa crescimento de 16% em relação ao mesmo período de 2025. Ao todo, foram comercializadas 8.609 unidades, avanço de 6%. Fortaleza, sozinha, respondeu por R$ 3,652 bilhões desse montante, com 5.688 imóveis comercializados no semestre. O VGV da capital cearense cresceu 20% na comparação anual. No mercado residencial vertical, as vendas somaram R$ 3,615 bilhões, dos quais R$ 2,967 bilhões vieram de empreendimentos fora do padrão econômico.

O que explica a elevada demanda?

A liderança no IDI Brasil levanta uma questão que vai além dos indicadores: O que tem impulsionado a procura por imóveis em Fortaleza? Parte da resposta está na expansão urbana da Capital e de sua Região Metropolitana. Os dados da CBIC mostram que municípios como Caucaia e Eusébio vêm ampliando sua participação nos lançamentos residenciais verticais. Em junho, Caucaia concentrou 48,6% das novas unidades lançadas na RMF, enquanto Eusébio respondeu por 45%.

Na Capital, o movimento também avança para além dos bairros tradicionalmente associados aos imóveis de maior valor. Novos empreendimentos e investimentos em infraestrutura têm ampliado o interesse por outras regiões da cidade. A área do Castelão é um exemplo desse processo. A presença da Arena Castelão, somada a corredores de transporte, equipamentos de saúde, comércio, serviços e instituições de ensino, reforça a infraestrutura local e contribui para aumentar a atratividade imobiliária.

Para Clausens Duarte, vice-presidente da Área Imobiliária do Sinduscon Ceará e diretor-presidente da CR Duarte, essa mudança já pode ser percebida no comportamento dos compradores. A empresa atua em uma das regiões inseridas nesse processo de expansão, com o empreendimento Pop Arena, situado nas proximidades da Arena Castelão. Em análise anterior sobre o mercado local, o executivo destacou que os consumidores passaram a olhar com mais atenção para áreas que combinam infraestrutura, facilidade de acesso e perspectiva de valorização.

Ritmo acelerado mesmo com juros altos

A força do mercado imobiliário de Fortaleza ganha ainda mais relevância diante de um cenário nacional marcado por juros elevados. A taxa Selic permanece em 14% ao ano, mas a concessão de crédito imobiliário continua avançando.

Segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), o crédito imobiliário deve alcançar R$ 411 bilhões em concessões em 2026. A projeção para o crescimento no ano foi revisada de 16% para 25%. Somente no primeiro semestre, as concessões chegaram a R$ 180,9 bilhões, alta de 23% na comparação anual.

Os números indicam que o custo do crédito continua sendo um desafio, mas não foi suficiente para interromper a demanda por moradia. Em Fortaleza, esse cenário se combina ao crescimento das vendas e à expansão do mercado para novas áreas da cidade e da Região Metropolitana.

A liderança nacional no segmento econômico, pelo quarto trimestre consecutivo, reforça esse movimento e mostra que a capital cearense chega à segunda metade de 2026 com demanda aquecida e um mercado imobiliário em expansão.


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