O mercado imobiliário inicia 2026 com perspectivas de melhora após um período de juros elevados e restrição ao crédito. A expectativa de queda da taxa Selic, a ampliação das linhas de financiamento e o fortalecimento de programas habitacionais, como o Minha Casa Minha Vida, compõem o cenário que deve influenciar a retomada gradual do setor ao longo do ano.
Agentes do mercado projetam uma redução entre 2 e 3 pontos percentuais nas taxas de juros, o que tende a ampliar o acesso ao crédito imobiliário, sobretudo para a classe média, mais sensível ao custo do financiamento. Segundo estimativas da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), cada redução de 1 ponto percentual na Selic pode permitir que cerca de 160 mil famílias voltem a ter acesso ao financiamento habitacional.
De acordo com o presidente executivo do Secovi-SP, Ely Wertheim, o ambiente esperado para 2026 é mais favorável do que o observado nos últimos anos, embora o cenário político e o calendário eleitoral possam influenciar decisões de investimento e políticas públicas voltadas à habitação.
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O mercado segue concentrado nos imóveis de menor valor. Na cidade de São Paulo, o programa Minha Casa Minha Vida responde atualmente por cerca de 65% da produção imobiliária, participação superior aos aproximadamente 45% registrados até 2023. O segmento apresenta maior liquidez e velocidade de vendas, impulsionado por tíquetes mais baixos e condições de crédito mais acessíveis.
Já o segmento de renda média, com imóveis entre R$ 700 mil e R$ 1,5 milhão, permanece mais impactado pelo custo do financiamento. No mercado de alta renda, com imóveis a partir de R$ 2 milhões, a dependência do crédito tradicional é menor, o que reduz a sensibilidade às variações das taxas de juros.