Região Portuária chega a 33% dos lançamentos residenciais no Rio

em Diário do Porto, 26/janeiro

Bairros de Santo Cristo e São Cristóvão, na Região Portuária, concentram a maior parte dos lançamentos no Rio, com novos investimentos.

Os bairros da Região Portuária do Rio de Janeiro consolidaram, em 2025, sua posição como principal frente de expansão do mercado imobiliário residencial da cidade. Santo Cristo e São Cristóvão responderam juntos por 33% de todos os lançamentos de novos imóveis residenciais, segundo levantamento do Sinduscon-Rio, com base em dados da Brain Inteligência Estratégica. O desempenho reforça a centralidade do Porto como novo polo habitacional carioca e evidencia o protagonismo da Cury Construtora, principal incorporadora atuando na região, com 19 empreendimentos.

O levantamento aponta que , pelo quarto ano consecutivo, a Região Portuária liderou o volume de lançamentos residenciais no município do Rio. Aproximadamente 25 projetos, entre novos empreendimentos e retrofits, já foram lançados na área, resultado de um ambiente impulsionado por incentivos urbanísticos e fiscais e pela consolidação do Porto Maravilha e pela expansão ao bairro de São Cristóvão como polo residencial, com oferta crescente de serviços e infraestrutura.

O bom desempenho local acompanha um ciclo de forte crescimento do mercado imobiliário carioca como um todo. Em 2025, o volume financeiro dos lançamentos saltou 37%, passando de R$ 12,8 bilhões em 2024 para R$ 17,6 bilhões, enquanto o preço médio de venda das unidades subiu cerca de 9%, acima da inflação de 4,26% no período.

Dentro desse cenário, a Cury se destacou como a incorporadora que mais explorou o potencial da Região Portuária, com forte atuação no Santo Cristo e expansão acelerada para São Cristóvão. Um dos movimentos mais recentes para esse bairro é o lançamento do Residencial Cartola, na rua Francisco Eugênio, em terreno que abrigava a antiga sede do Grupo Ipiranga. O projeto prevê mil apartamentos, majoritariamente de dois quartos, aproveitando regras urbanísticas mais flexíveis e incentivos fiscais estendidos à área em 2024. No mesmo bairro, já em obras, a construtora desenvolve o Residencial Porto Maravilha, com 499 unidades, com dois quartos.

Além do Cartola, a construtora prepara um segundo empreendimento de grande porte em São Cristóvão, na Avenida São Cristóvão, próximo ao Terminal Gentileza. O projeto, ainda em fase de licenciamento, prevê cerca de 1,7 mil apartamentos, distribuídos em quatro torres, com uso de Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs) para permitir edificações mais altas. Com a ampliação das regras do Porto Maravilha, o gabarito local passou a permitir torres de até 36 andares, e os incentivos urbanísticos foram prorrogados até 2054.

A expansão para São Cristóvão marca uma nova etapa do processo de revitalização iniciado há cerca de 15 anos na Região Portuária. Com os novos projetos, o número de unidades residenciais licenciadas no Centro e em bairros vizinhos já ultrapassa 19 mil, sendo 13.861 em áreas com benefícios do Porto Maravilha. A tendência reforça a Região Portuária como o principal vetor de crescimento imobiliário do Rio, combinando adensamento urbano, reocupação de áreas centrais e atração de novos moradores para regiões historicamente subutilizadas.

São Cristóvão passou a integrar formalmente a área de influência da Região Portuária em 2024, quando a Prefeitura do Rio aprovou a extensão das regras urbanísticas e dos incentivos fiscais do Porto Maravilha para partes do chamado Bairro Imperial. A mudança ampliou o perímetro beneficiado de cerca de 5 milhões para 8,7 milhões de metros quadrados, permitindo maior gabarito de construção, uso de Cepacs e prorrogação dos incentivos até 2054. Na prática, a decisão incorporou São Cristóvão à dinâmica de revitalização da Zona Portuária, criando as condições legais e econômicas que viabilizaram grandes projetos residenciais e aceleraram a ocupação imobiliária da região.


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