O RAF Arquitetura é autor do projeto para a Unidade Centro dos Departamentos Nacionais do Sesc e Senac, na Praça Pio X, em um dos pontos mais emblemáticos do Centro do Rio de Janeiro, junto à Igreja de Nossa Senhora da Candelária. A proposta, com 25.204 metros quadrados, promove a requalificação e a integração de três edifícios existentes, nos números 7, 15 e 17 da praça. As obras estão previstas para iniciar em maio de 2027.
O entorno da Candelária ocupa uma posição estratégica na formação histórica do Centro da capital carioca, articulando importantes eixos cívicos, comerciais e culturais. Marcada pela proximidade com a Igreja da Candelária, a Avenida Rio Branco e a região portuária, a área reúne patrimônio, memória e intensa circulação urbana. A implantação de um Sesc nesse contexto reforça sua vocação pública, ampliando a oferta de cultura, convivência e serviços e contribuindo para a reativação do Centro.
Os edifícios têm tipologias e datas de construção diferentes, um deles das décadas de 1940 e 1950, outro dos anos 1960 e um terceiro dos anos 1980, e são assinados pelo escritório técnico Ramos de Azevedo e por Paulo Casé e Luis Acioli. O que os aproxima, segundo o escritório, é a implantação urbana, a presença dos pilotis e os princípios arquitetônicos associados ao desenvolvimento da Avenida Presidente Vargas. Um deles, de cerca de 8 mil metros quadrados e 13 andares, com fachada modernista, abrigava o campus da Universidade Cândido Mendes, e foi o primeiro de uma sequência de aquisições: o Sesc adquiriu dois edifícios e, depois, um terceiro. A contratação se deu por concorrência de técnica e preço, aberta em dezembro de 2024. Depois da habilitação, as propostas técnicas receberam uma pontuação somada à da proposta de preço, que dá nota maior quanto menor for o valor.
Segundo Aníbal Sabrosa, sócio fundador do escritório, o terreno está inserido em área de proteção arquitetônica e cultural. O projeto mantém os pilotis e requalifica o conjunto como um todo. Para unificar três arquiteturas tão diversas, a equipe optou por um material praticamente único, o vidro, em toda a extensão, e por elementos metálicos de sombreamento que reinterpretam o brise, recurso recorrente nos edifícios modernos da vizinhança, agora em desenho contemporâneo.
“Ao integrar edifícios, pessoas e usos, o projeto reforça o papel das instituições como agentes de transformação, promovendo a reocupação qualificada do centro da cidade e reafirmando o compromisso com a cultura, a educação e o bem-estar. É um edifício que traduz, em sua materialidade e em sua vivência, o espírito do Sesc e do Senac — espaços que acolhem, inspiram e transformam”, explica a equipe do Sesc e do Senac.
Um Centro em requalificação
O entorno da Candelária ocupa uma posição estratégica na formação histórica do Centro, ao articular eixos cívicos, comerciais e culturais, entre a igreja, a Avenida Rio Branco e a região portuária. A Praça Pio X é considerada a mais antiga zona bancária do país. Para o escritório, a implantação do Sesc nesse contexto reforça sua vocação pública, ao ampliar a oferta de cultura, convivência e serviços e contribuir para a reativação do Centro. Ao integrar edifícios, pessoas e usos, o projeto afirma o papel das instituições como agentes de transformação e busca a reocupação qualificada da cidade.
A obra se soma a uma série de intervenções em curso na área central da capital carioca, em meio ao Reviver Centro, programa de revitalização promovido pela administração municipal. Na Rua do Senado, o Mercado Central RJ, projeto da TADU Arquitetura [Confira matéria completa na PROJETO], ocupa seis casarões históricos que abrigaram, por mais de um século, a antiga fábrica da Granado. Ali, a reocupação foi mais orgânica: vieram da música ao vivo do Rio Scenarium, da presença da Catedral Metropolitana, dos antiquários e da feira de artesanato aos sábados na Rua do Lavradio, e de bares e restaurantes tradicionais e novos. A vizinha Gomes Freire também recebe moradias e gastronomia.
Na Candelária, o impulso é institucional. O Centro de Ciências e Culturas Sesc RJ, na Avenida Presidente Vargas, 62, foi concebido como um laboratório para a mediação do conhecimento e o diálogo entre ciência e cultura. Ocupa um edifício dos anos 1950, reformado em 2015.
Outros dois projetos do Sesc no Rio, ambos do gru.a, mostram como a instituição vem lidando com o patrimônio construído. Na avenida Graça Aranha, 187, o escritório assina o teatro do Sesc Ginástico, inaugurado em 1938 pela Real Sociedade Clube Ginástico Português e entregue no fim de 2025. A intervenção trata as qualidades arquitetônicas existentes como condicionantes e atualiza layout, materiais, iluminação e infraestrutura às normas de acessibilidade, segurança e conforto. A segunda fase do complexo, com o retrofit do edifício contíguo, tem conclusão prevista para novembro de 2026 e é assinada pelo LARQ Arquitetura.
Na Zona Norte, o gru.a conduz as obras do MuCMA – Museu do Comércio, Memória e Arte, no Sesc Engenho de Dentro (Avenida Amaro Cavalcanti, 1661), primeira unidade do Sesc no Brasil, com previsão de conclusão em dezembro de 2026. O lote de 1.240 metros quadrados, em frente à linha de trem, abriga um casarão dos anos 1940, do qual resta parte do alicerce de pedra, integrado a um edifício de três pavimentos dos anos 1980.
O projeto reaproveita parcialmente essas estruturas, com demolição pontual, redefinição das cotas do terreno e uma nova envoltória que amplia as áreas úteis. O programa inclui galerias, salas multiuso, cafeteria, praças abertas e cobertas, áreas de pesquisa, espaços educativos e o acervo do Centro de Memória do Sesc RJ.