A inteligência artificial já é uma ferramenta considerada por quem procura um imóvel no Rio de Janeiro. Pesquisa da Loft aponta que 82% dos moradores da capital usam ou usariam a tecnologia em alguma etapa da compra, venda ou locação. Comparar preços, simular financiamentos e pesquisar bairros estão entre as principais aplicações, mas a presença da IA na comunicação de imobiliárias, corretores e plataformas ainda é menos percebida do que em outros ambientes do cotidiano.
Segundo o levantamento, 41% dos entrevistados usam ou usariam inteligência artificial para comparar preços de imóveis. Outros 35% recorreriam à tecnologia para simular financiamentos, entradas e parcelas, enquanto 33% utilizariam a ferramenta para pesquisar bairros e regiões de acordo com suas necessidades.
A pesquisa também identificou interesse em esclarecer dúvidas sobre contratos e documentação, opção mencionada por 30% dos participantes, e avaliar se o preço pedido por um imóvel está de acordo com o mercado, citada por 26%.
Apesar dessa disposição, 18% dos entrevistados afirmaram que não usam nem pretendem utilizar inteligência artificial na jornada imobiliária.
O levantamento foi realizado pela Offerwise entre 21 e 30 de julho de 2026. O recorte do Rio de Janeiro ouviu 300 moradores com 18 anos ou mais, dentro de uma amostra de 1.400 pessoas distribuídas por seis capitais brasileiras.
Uso da IA é menos percebido no mercado imobiliário
A pesquisa mostra uma diferença entre a presença da tecnologia no cotidiano e sua identificação no setor imobiliário. No Rio, 48% dos entrevistados afirmam perceber frequentemente ou sempre o uso de inteligência artificial no trabalho, na escola ou na universidade. Quando o assunto é a comunicação de corretores, imobiliárias e plataformas do setor, o percentual cai para 34%.
Ao todo, 64% dos participantes disseram identificar sinais de IA nesse tipo de comunicação, ainda que ocasionalmente. Entre eles, as aplicações mais percebidas são fotos e imagens de imóveis, citadas por 52%, e o atendimento inicial por chatbots, mencionado por 48%. Descrições de anúncios aparecem em seguida, com 44%, enquanto 38% identificam a tecnologia em respostas de corretores por WhatsApp, chats ou e-mail.
Nas etapas mais próximas da negociação, a percepção é menor. Apenas 23% dos entrevistados que identificam sinais de IA no mercado imobiliário dizem percebê-la em propostas comerciais e negociações de valores. Na avaliação ou precificação de imóveis, são 22%. Já contratos e documentação aparecem em 11%.
A diferença também se manifesta quando o interesse dos consumidores é comparado à percepção do uso da tecnologia pelas empresas. Enquanto 26% dos moradores usam ou usariam IA para avaliar se o preço de um imóvel está alinhado ao mercado, cerca de 14% do total identificam a tecnologia nessa atividade do lado das imobiliárias e dos corretores. No caso de contratos e documentação, 30% recorreriam à IA para esclarecer dúvidas, mas apenas cerca de 7% percebem seu uso nessa etapa pelo mercado.
Confiança ainda é um desafio
A disposição para utilizar inteligência artificial não significa confiança irrestrita nas informações produzidas com a tecnologia. Quando informados de que parte da comunicação de uma imobiliária foi elaborada com IA, 40% dos entrevistados afirmaram que confiariam pouco ou nada nos dados recebidos, como preços, condições dos imóveis e prazos. Outros 40% disseram que teriam confiança moderada, enquanto 20% demonstraram confiança elevada.
O nível de conforto com a tecnologia também varia. No Rio, 29% se dizem confortáveis com o uso de IA na comunicação das imobiliárias, enquanto 33% afirmam não se sentir confortáveis. Os demais 38% ficam em uma posição intermediária.
Entre os moradores que usam ou usariam inteligência artificial na jornada imobiliária, o ChatGPT é a ferramenta mais citada, com 67%, seguido pelo Gemini, com 59%, e pela Meta AI, com 32%.
Para Fábio Takahashi, gerente de dados da Loft, os resultados indicam espaço para combinar o uso da tecnologia com o atendimento humano. Segundo ele, a IA pode ajudar na pesquisa e na análise de informações, enquanto os profissionais continuam tendo papel importante na orientação dos consumidores e nas decisões mais complexas.
As perguntas sobre inteligência artificial foram incluídas pela primeira vez na sétima onda da Pesquisa de Confiança do Mercado Imobiliário da Loft. Por isso, não há comparação com edições anteriores. Os percentuais refletem o uso declarado ou a intenção de utilizar as ferramentas, e não necessariamente o uso efetivo.