Aluguel desacelera, mas alta de 9,16% supera mais que o dobro da inflação em 12 meses

em InfoMoney / Mercado Imobiliário, 15/setembro

Aluguel desacelera, mas alta de 9,16% supera mais que o dobro da inflação em 12 meses.

O preço dos novos aluguéis residenciais voltou a perder velocidade em agosto. Os valores avançaram 0,55% no mês, abaixo da alta de 0,70% registrada em julho, enquanto a inflação oficial medida pelo IPCA foi na direção contrária, com uma deflação de 0,32% no período, como mostra o Índice FipeZAP de Locação Residencial.

Mas a desaceleração ainda está longe de representar alívio para quem procura um imóvel. De janeiro a agosto, os aluguéis acumulam alta de 6,56%, mais que o dobro do IPCA de 3,11%. Em 12 meses, o Índice FipeZAP de locação avançou 9,16%, ante inflação de 4,22%. O IGP-M, tradicionalmente utilizado como referência em contratos imobiliários, acumulou apenas 2,16% no mesmo período.

Os dados foram levantados pela Fipe em parceria com o Grupo OLX, a partir de anúncios de apartamentos prontos para locação em 36 cidades, entre elas 22 capitais. Mas o fator importante é que o indicador acompanha os preços anunciados para novos aluguéis, e não os reajustes dos contratos que já estão em vigor. Por isso, funciona como um termômetro mais imediato da relação entre oferta e procura por moradia.

Para Mariangela Silva, economista do Grupo OLX, os resultados recentes podem indicar uma moderação no ritmo de crescimento, mas ainda não permitem falar em reversão da tendência de valorização. “Apesar da desaceleração observada na variação mensal, os dados ainda mostram um mercado de locação residencial ainda aquecido”, afirma.

A economista chama atenção para um componente que ajuda a explicar por que o aluguel pode continuar pressionado mesmo em um ambiente de desaceleração da inflação: o custo elevado do crédito imobiliário.

Com juros altos e menor acesso ao financiamento, parte das famílias que poderia migrar do aluguel para a casa própria tende a postergar a compra. Na prática, permanece por mais tempo disputando os imóveis disponíveis para locação. “Os juros elevados e o crédito imobiliário mais restritivo pode postergar a decisão de compra de parte das famílias e manter essa demanda no mercado de locação”, explica Mariangela.

Isso ajuda a entender por que a inflação e o preço dos novos aluguéis podem percorrer trajetórias tão diferentes. Enquanto o IPCA acompanha uma cesta ampla de produtos consumidos pelas famílias, a formação do preço da locação responde diretamente à velha lei do mercado, da oferta e demanda. Quando muita gente busca determinado tipo de imóvel e a oferta não acompanha esse movimento, a desaceleração da inflação geral não necessariamente se traduz em aluguel mais barato.


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