Líder na geração de empregos na construção civil no Nordeste, Estado pode se beneficiar com acordo internacional no setor

em Paraíba Business / Economia, 15/setembro

Enquanto o Brasil negocia acordo comercial com o Panamá que mira o setor de materiais de construção, a Paraíba chega ao momento como o estado que mais gerou empregos relativos na construção civil do Nordeste.

A construção civil foi o único setor com saldo positivo de empregos em todos os nove estados do Nordeste em janeiro de 2026, respondendo por 10.826 postos na região, segundo dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). No acumulado entre fevereiro de 2025 e janeiro de 2026, a Paraíba liderou o crescimento relativo do setor na região, com alta de 6,08% e 31.283 vagas geradas, à frente de Piauí (5,75%) e Pernambuco (5,03%), segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Construção civil paraibana cresce mais que a média nordestina

O desempenho da Paraíba nesse período não foi pontual: em janeiro de 2026, o estado gerou 816 novos postos de trabalho na construção civil, atrás apenas de Pernambuco (3.069), Bahia (2.722) e Rio Grande do Norte (883) em termos absolutos, mas à frente de todos em ritmo de crescimento acumulado. O salário médio real de admissão no Nordeste chegou a R$ 2.070,49 em janeiro, alta de 4,44% frente a dezembro de 2025.

Esse ritmo de expansão da construção civil paraibana ganha relevância adicional diante de um movimento que começa a se desenhar no comércio exterior: a perspectiva de que empresas brasileiras de materiais de construção ampliem sua presença na América Central e no Caribe por meio de um acordo comercial entre o Mercosul e o Panamá.

A Paraíba liderou o crescimento relativo da construção civil entre os estados do Nordeste com dados divulgados no período, com alta de 6,08%. Fonte: Novo Caged, MTE.

Construção sustenta geração de emprego em todo o Nordeste

Sem o desempenho da construção civil, o saldo de empregos do Nordeste como um todo teria fechado no negativo em janeiro de 2026: os demais setores da economia regional acumularam retração líquida de 4.692 vagas no mês, levando o saldo total da região a 6.134 postos formais. A força do setor na geração de empregos, especialmente em estados como a Paraíba, reforça o interesse regional em qualquer movimento que amplie o mercado para a cadeia de materiais de construção, incluindo negociações comerciais internacionais como a que está em curso com o Panamá.

Embaixador brasileiro no Panamá vê oportunidade para materiais de construção

O embaixador do Brasil no Panamá, João Mendes Pereira, afirmou nesta terça-feira (15) que o acordo em negociação entre o Panamá e o Mercosul poderá ampliar significativamente o mercado para empresas brasileiras, especialmente no setor de materiais de construção. Segundo o diplomata, o acordo envolve abertura de mercado, negociação de tarifas e definição da base regulatória entre as partes, o que permitirá explorar o potencial de obras e negócios não só no Panamá, mas em toda a região da América Central e Caribe.

O Panamá possui posição estratégica para o comércio internacional, funcionando como ponte para mercados da América do Norte, América do Sul e Ásia, além de hub logístico essencial para a região. João Mendes Pereira destacou que o país está interessado em diversificar seus parceiros comerciais, considerando o Mercosul e o Brasil atores importantes para ampliar sua projeção internacional. Atualmente, o Panamá implementa projetos significativos de infraestrutura, como terminais aeroportuários, expansão do metrô e melhorias no Canal do Panamá para enfrentar desafios climáticos, como os impactos do fenômeno El Niño no abastecimento hídrico.

Summit Americas reúne mais de 600 empresários do setor no Panamá

As declarações do embaixador foram feitas durante o Summit Americas e ExpoShow, evento realizado pela Atlas que reúne mais de 600 empresários do segmento de materiais de construção de 28 países. O encontro, que ocorre até quinta-feira (17) no Panamá, promove debates estratégicos, encontros comerciais e facilita a geração imediata de negócios no setor. Márcio Atz, diretor-geral da Atlas, explicou que o evento cria um ambiente de conteúdo qualificado para a alta gestão, ao mesmo tempo em que promove negociações entre indústrias fornecedoras e importantes players de importação, distribuição e varejo de materiais de construção.

Os painéis do Summit Americas têm curadoria acadêmica da ISE Business School, associada à IESE Business School, considerada a terceira melhor escola de negócios do mundo pelo Financial Times. Os temas abordados incluem estratégias de varejo omnicanal, aplicação de inteligência artificial na cadeia de suprimentos, gestão de talentos e governança familiar.

Setor de materiais de construção representa 6,6% do PIB brasileiro

O segmento de materiais de construção representa cerca de 6,6% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, com a indústria faturando aproximadamente R$ 318,6 bilhões e gerando mais de 767 mil empregos diretos, conforme dados da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) e da Ecconit. O varejo do setor conta com mais de 160 mil lojas espalhadas pelo país, movimentando R$ 238,9 bilhões, segundo levantamento da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco). A combinação da força das vendas físicas com o crescimento digital posiciona o setor em momento favorável para expansão internacional.

Negociações tarifárias ainda dependem de etapas complementares

O acordo entre Mercosul e Panamá já tem uma base formal em vigor: o acordo-quadro entre os dois blocos foi internalizado ao ordenamento jurídico brasileiro em novembro de 2025, criando a estrutura institucional para negociações futuras, mas sem estabelecer, até então, compromissos tarifários imediatos. A etapa que trata especificamente da abertura de mercado e da definição de tarifas, mencionada pelo embaixador, ainda está em curso, com conclusão estimada pelos negociadores para o próximo ano. Até lá, o real alcance do acordo sobre setores específicos como o de materiais de construção segue dependente do avanço dessas tratativas.

Acordo pode abrir portas além do mercado panamenho

O embaixador ressaltou que a parceria vai além do Panamá e pode abrir portas para o mercado norte-americano, o Caribe e a Ásia, consolidando o Brasil como parceiro estratégico na região. Analistas do setor indicam que a aproximação comercial e a redução de barreiras podem impulsionar o crescimento econômico do Nordeste brasileiro, favorecendo a geração de empregos e o fortalecimento do setor de construção civil regional, justamente o setor que hoje já lidera a geração de vagas formais em estados como a Paraíba.

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O Paraíba Business acompanha os desdobramentos da negociação comercial entre Mercosul e Panamá e seus reflexos sobre o setor de materiais de construção e o mercado de trabalho da Paraíba e do Nordeste


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