O Nordeste aparece entre os destaques nacionais na geração de empregos formais na construção civil nos primeiros oito meses de 2026. A Bahia alcançou a terceira posição no ranking brasileiro, com 15.688 novas vagas. O estado também se destacou pelo desempenho da construção de edifícios, segmento que concentrou o maior saldo de contratações no estado.
Já Pernambuco obteve um dos melhores desempenhos do país na proporção de empregos criados na construção civil em relação à população, figurando entre as três unidades da Federação com melhor resultado proporcional à população, atrás apenas de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.
Os resultados fazem parte de levantamento da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), que aponta a criação de 200.431 postos de trabalho com carteira assinada no setor em todo o Brasil entre janeiro e agosto.
Nordeste ganha espaço no mercado de trabalho da construção civil
Além da posição de destaque da Bahia e de Pernambuco, o levantamento reforça a participação dos estados nordestinos na expansão do emprego formal da construção civil. A Bahia registrou 15.688 novas vagas, ficando atrás apenas de São Paulo, com 34.099, e Minas Gerais, com 25.340.
A distribuição das contratações, entretanto, apresentou características distintas entre os estados. Enquanto em São Paulo os serviços especializados para a construção foram responsáveis pelo maior volume de admissões, em Minas Gerais a infraestrutura concentrou a liderança. Na Bahia, por sua vez, a construção de edifícios puxou a abertura de postos de trabalho.
Na avaliação do presidente da CBIC, Eduardo Aroeira, os resultados demonstram o peso dos investimentos em obras para o desenvolvimento econômico e a ampliação das oportunidades profissionais.
“Os números mostram a força da construção civil na geração de empregos e a importância das obras de infraestrutura para o desenvolvimento brasileiro. Investir em infraestrutura significa ampliar a capacidade produtiva do país, melhorar os serviços oferecidos à população e criar oportunidades de trabalho. Precisamos garantir condições para que esses investimentos tenham continuidade, com planejamento de longo prazo e um ambiente econômico favorável”, afirma.
Infraestrutura registra recorde de contratações
No acumulado de janeiro a agosto, a infraestrutura abriu 79.065 vagas formais em todo o país, volume 26,89% superior ao contabilizado no mesmo intervalo de 2025, quando o segmento havia criado 62.312 empregos.
O resultado supera o registrado pela construção de edifícios, responsável por 66.503 novas contratações, e pelos serviços especializados, que acrescentaram 54.863 trabalhadores ao mercado formal. É apenas a segunda ocasião em sete anos em que a infraestrutura ultrapassa a construção de edifícios na geração de empregos nesse intervalo do calendário.
A economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, avalia que os números apontam uma mudança no perfil de crescimento do mercado de trabalho da construção.
“A infraestrutura vem apresentando um desempenho expressivo na geração de empregos e alcançou, nos primeiros oito meses deste ano, o melhor resultado da série histórica para esse período. É um movimento relevante, especialmente porque os demais segmentos da construção registraram redução no ritmo de criação de vagas em relação ao ano passado”, avalia.
Segundo a entidade, enquanto as obras de infraestrutura mantêm uma trajetória de expansão desde o início de 2025, a construção de edifícios apresenta perda de ritmo nas contratações desde abril de 2026.
Em agosto, o contingente de trabalhadores com carteira assinada na construção civil chegou a 3.150.781 pessoas. Trata-se do maior patamar da série histórica, com avanço de 2,99% em relação ao mesmo mês do ano passado.
Interiorização dos investimentos impulsiona empregos
O levantamento também chama atenção para o desempenho de municípios de menor porte. Inocência, em Mato Grosso do Sul, alcançou a sétima colocação nacional em quantidade absoluta de novos empregos formais na construção civil. Quando considerada a relação entre vagas criadas e população, a cidade assumiu a primeira posição do país, impulsionada por empreendimentos ligados à indústria de celulose.
Santa Terezinha de Goiás e Jaguarari, na Bahia, completaram as três primeiras colocações nesse critério. Os resultados evidenciam como grandes projetos industriais e de infraestrutura podem ampliar a atividade econômica e movimentar o mercado de trabalho em municípios do interior.
Juros e custos elevados desafiam construção civil
Apesar da expansão das contratações, os indicadores de atividade apontam dificuldades para o setor. A sondagem da indústria da construção, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), com apoio da CBIC, registrou 45,9 pontos no terceiro trimestre de 2026, abaixo dos 47,8 pontos do trimestre anterior. Resultados inferiores a 50 pontos indicam retração na percepção dos empresários.
O custo do crédito permanece entre os principais entraves. Quatro em cada dez empresários consultados apontaram os juros elevados como um dos problemas mais relevantes, maior percentual desde o terceiro trimestre de 2023.
A pressão também aparece nos custos de produção. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), da Fundação Getulio Vargas (FGV), acumulou elevação de 6,64% em 12 meses até setembro. A mão de obra subiu 7,78%, enquanto materiais e equipamentos avançaram 6,06%.
Já o Custo Unitário Básico (CUB) médio Brasil, calculado pela CBIC a partir de dados de 21 estados, apresentou alta de 6,84% nos 12 meses encerrados em agosto. Entre os insumos com maiores aumentos estão tubo de ferro galvanizado, fio de cobre, placa de gesso, bloco cerâmico e cimento. O fio de cobre registrou valorização próxima de 17%.
Para Ieda Vasconcelos, o cenário exige cautela. “A construção civil mantém sua capacidade de gerar empregos, mas os indicadores de atividade mostram que o setor enfrenta dificuldades. Os juros elevados encarecem o crédito e comprometem as decisões de investimento, enquanto a pressão sobre os custos reduz a margem de planejamento das empresas. É fundamental observar esses fatores para compreender as perspectivas da atividade nos próximos meses”, destaca.
Financiamento imobiliário avança 20,94%
Outro indicador positivo foi o crédito imobiliário. Entre janeiro e agosto, os financiamentos com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) totalizaram R$ 222,9 bilhões, crescimento de 20,94% em comparação com igual período de 2025.
O SBPE respondeu por R$ 132,5 bilhões, expansão de 37,5%. Já os recursos do FGTS somaram R$ 90,4 bilhões, aumento de 2,79%. Em quantidade de imóveis, foram financiadas 773.647 unidades no período. Desse total, 384.624 operações utilizaram recursos do SBPE, alta de 35,87%. O FGTS respondeu por 389.023 unidades, recuo de 3,40% na comparação anual.