Você passaria décadas construindo patrimônio para, na hora de descansar e aproveitar a vida, descobrir que, se mudar para um apartamento menor, pode consumir boa parte do dinheiro que você juntou?
Os filhos cresceram, saíram de casa, a manutenção começou a pesar. Se mudar para um apartamento menor parece a solução mais óbvia.
Mas e se a conta não fechar do jeito que você estava imaginando?
Um apartamento grande, típico na Tijuca, na cidade do Rio de Janeiro, vale cerca de R$ 574 mil.
Se você vende para comprar um usado no mesmo bairro, vão sobrar cerca de R$ 200 mil depois dos custos com corretagem, ITBI, cartório - e excluindo eventual imposto de renda ou ganho de capital.
Se a ideia for vender para comprar um menor lá, só que novo, aí já sobram cerca de R$ 40 mil.
Ou seja, você diminui a casa, o espaço, mas pode ter que abrir mão de boa parte do dinheiro que você estava imaginando que ia te trazer um pouco mais de liberdade financeira. E não é uma questão única e exclusivamente de preço.
Porque em Copacabana, por exemplo, nos últimos dois anos, foram registradas mais de 1.600 vendas de apartamentos grandes e usados. Já de apartamentos novos na casa de 36 a 65 m² foram apenas seis registros.
O mercado de usados oferece alternativas, mas o de novos apartamentos ainda não acompanha na mesma proporção.
Mas tudo bem, imagina que você não quer comprar um apartamento novo. Você vendeu o seu e decide morar de aluguel.
Em Copacabana mesmo, se você pegar o dinheiro e aplicar em títulos do Tesouro que rendem acima da inflação nas taxas atuais, pode sobrar algo em torno de R$ 800 a R$ 1.500 por mês depois de pagar o aluguel.
Mas se o valor do aluguel for um pouquinho mais alto, e olha que o mercado de aluguel no Rio de Janeiro, por exemplo, está bem aquecido, pode faltar dinheiro.
E essa conta, mais uma vez, não está incluindo o imposto sobre a venda. Ou seja, trocar o apartamento por um usado, comprar um novo ou morar de aluguel são decisões com consequências financeiras muito distintas.
E sabe qual é a reflexão que eu acho realmente importante? O mercado imobiliário vende a ideia de que morar em menos metros quadrados pode trazer simplicidade e uma liberdade financeira tão sonhada.
Só que durante muito tempo, a casa representa para a gente o lugar onde a gente constrói a nossa vida e acumula patrimônio.
E, quando a vida muda, transformar esse patrimônio em liberdade pode ser um pouquinho mais complexo do que parece.