Itajaí, no Litoral Norte de Santa Catarina, movimentou R$ 3,11 bilhões em vendas de imóveis entre janeiro e agosto de 2026, uma alta de 209,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Os dados são de um levantamento da plataforma imobiliária DWV. A cidade, que tem o segundo maior PIB (Produto Interno Bruto) de Santa Catarina, também registrou o maior volume de vendas entre os municípios do litoral catarinense analisados.
No mesmo período, Itapema movimentou R$ 2,43 bilhões em imóveis, seguida por Porto Belo, com R$ 2,35 bilhões, e Balneário Camboriú, com R$ 1,71 bilhão. Em 2025, o volume negociado em Itajaí entre janeiro e agosto havia sido pouco superior a R$ 1 bilhão.
Os números mensais também indicam uma aceleração do mercado imobiliário da cidade. Em agosto de 2026, foram movimentados R$ 750,5 milhões em vendas de imóveis, um avanço de 719,4% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Em julho, o volume chegou a R$ 826,2 milhões, alta de 590,4% na comparação anual.
Mercado imobiliário cresce em cenário de oferta limitada
O crescimento das vendas ocorre em um cenário de oferta limitada. Em julho, Itajaí tinha 3.219 imóveis em estoque, o equivalente a 1,09% da população considerada no levantamento. Para comparação, Itapema contabilizava 6.515 unidades disponíveis, enquanto Porto Belo tinha 11.331.
Para o corretor de imóveis e especialista em mercado imobiliário Bruno Cassola, que tem quase 20 anos de atuação no Sul do país, a combinação entre o volume de vendas e a quantidade de unidades disponíveis indica uma forte capacidade de absorção do mercado.
“Itajaí vive um momento muito interessante porque combina um volume elevado de vendas com uma oferta ainda limitada de imóveis. Quando analisamos essa relação entre demanda e estoque, percebemos uma capacidade de absorção muito forte do mercado, com liquidez e procura consistente”, afirma.
O especialista também destaca o déficit habitacional superior a 15 mil moradias, segundo dados da Prefeitura, como um dos fatores que contribuem para a procura por imóveis no município.
Praia Brava concentra imóveis de alto padrão
A demanda imobiliária se distribui por diferentes regiões de Itajaí. Segundo Cassola, a Praia Brava concentra parte importante dos empreendimentos de alto padrão e atrai compradores de outras regiões do país. Já bairros como Fazenda e Centro recebem novos projetos voltados à primeira moradia e a oportunidades de valorização.
O Índice FipeZap também aponta uma trajetória de valorização dos preços médios anunciados dos imóveis em Itajaí nos últimos quatro anos. Atualmente, a cidade ocupa a quinta posição entre os municípios monitorados pelo indicador em relação ao valor médio anunciado.
Na avaliação do especialista, a economia, a infraestrutura, a qualidade de vida e a localização estratégica ajudam a explicar o interesse pelo município, que também se destaca como polo portuário e logístico.
“Balneário Camboriú foi durante muitos anos o grande epicentro da valorização do litoral catarinense e continua sendo uma referência, mas Itajaí passou a desenvolver uma dinâmica própria. A Praia Brava é um dos principais vetores, porém Fazenda, Centro e outros bairros próximos mostram que esse crescimento não está concentrado em um único endereço. Quando uma cidade combina aumento das vendas, oferta limitada, alta demanda por moradia e diferentes regiões em transformação, ela deixa de ser apenas beneficiada pelo entorno e passa a ter protagonismo próprio”, afirma Cassola.
Para ele, o crescimento não está restrito à Praia Brava, mas também aparece em bairros consolidados e em outras regiões em transformação. A combinação entre aumento das vendas, oferta limitada e demanda por moradia, segundo o especialista, reforça o protagonismo de Itajaí no mercado imobiliário regional.