Mesmo em meio a um cenário macroeconômico ainda desafiador, o mercado imobiliário de Porto Alegre apresentou alguns resultados comemorados pelo setor no primeiro semestre de 2026. O principal deles é que os lançamentos de imóveis de médio e alto padrão cresceram 18% em relação ao mesmo período no ano passado.
Os dados fazem parte de um levantamento exclusivo produzido pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Rio Grande do Sul (Sinduscon-RS), em parceria com a Alphaplan Inteligência em Pesquisas e a Órulo. Como critério para a pesquisa, o Sinduscon considera nesta categoria imóveis com valor a partir de R$ 400 mil.
No primeiro semestre, foram 1.205 unidades lançadas na Capital, em comparação a 1.018 nos primeiros seis meses de 2025. O número, entretanto, caiu do primeiro trimestre deste ano para o segundo: os lançamentos entre janeiro e março chegaram a 745, enquanto entre abril e junho ficaram em 461.
Para o vice-presidente do Sinduscon-RS, Rodrigo Pavei, o crescimento no número de lançamentos mostra a resiliência do mercado imobiliário da Capital.
— Conseguimos aumentar os lançamentos, mesmo com esse panorama desafiador causado pela alta da taxa de juro, que por mais que venha caindo, ainda está em patamar muito elevado. E o custo de produção ainda está muito caro para as incorporadoras, e dificulta principalmente para as médias e menores, que têm mais dificuldades de acessar financiamentos nesse contexto. Mesmo assim, conseguimos aumentar os lançamentos em praticamente 20%, o que mostra a força do setor na cidade — destaca.
Menino Deus e Cidade Baixa lideram lançamentos
Em relação aos bairros, dois se destacam dos demais, e concentram mais da metade dos lançamentos em Porto Alegre no período. A liderança do ranking ficou com o Menino Deus, que concentrou 34% dos lançamentos, recebendo 407 unidades. Na sequência ficou a Cidade Baixa, que teve 23% do total, com 276 novos imóveis.
Na sequência aparecem Sarandi, com 156 unidades e 13% do total, o Centro Histórico (105 unidades, 9%) e o Mont’Serrat (86, 7%). Somados, estes cinco bairros concentraram 86% dos imóveis de médio e alto porte lançados no primeiro semestre.
— São regiões que apresentaram boas oportunidades para desenvolvimento de novos imóveis e acabaram se destacando neste semestre em termos de lançamentos — complementa Pavei.
Quando a métrica é o valor geral de vendas (VGV) dos lançamentos, quem fica na frente é o Mont’Serrat, com R$ 260 milhões. Logo na sequência, está o Bela Vista, com R$ 250 milhões. O Menino Deus, que liderou as unidades lançadas, fica em terceiro no VGV, com R$ 186 milhões.
Flexibilidade atrai interesse por imóveis compactos
Entre os lançamentos, os imóveis compactos seguem predominando no mercado. Os apartamentos de um dormitório tiveram 367 unidades lançadas, enquanto os studios tiveram 361, fazendo com que cada categoria ocupasse 30% do total.
Os imóveis de médio porte vieram na sequência. Os de dois dormitórios tiveram 235 unidades e 20% do total, e os de três dormitórios tiveram 225 unidades lançadas, ocupando 19% dos lançamentos. Por fim, os imóveis maiores, de quatro dormitórios ou mais, tiveram 17 unidades lançadas, correspondendo a cerca de 1% do total.
Especialista em financiamento imobiliário, Murilo Arjona observa que os compactos se consolidaram pela flexibilidade.
— Há uma parcela considerável da população que mora sozinha, então não precisa de um apartamento muito grande, e também favorece viver em um prédio mais funcional, com lavanderia e outros serviços que normalmente acompanham esses novos empreendimentos. E esses imóveis também têm tido boa saída como investimento, para aluguéis temporários, o que permite uma rentabilidade mais rápida para o proprietário que não deseja morar no local — afirma.
Com os lançamentos realizados no primeiro semestre, o mercado imobiliário da Capital fechou o período com 5.980 unidades de imóveis de médio e alto padrão em estoque. O dado representa crescimento de 35% em relação ao mesmo período do último ano, e também configura o maior volume semestral desde a segunda metade de 2022. Os studios e os apartamentos de um dormitório também têm maioria na oferta, com 2.380 unidades e 44,4% do total.
Vendas recuaram 8% em relação ao ano passado
Também segundo o levantamento do Sinduscon-RS, foram 2.059 unidades de imóveis de médio e alto padrão vendidas em Porto Alegre no primeiro semestre. O número representa uma queda de 8% em relação ao registrado no mesmo período do ano passado (2.234 unidades comercializadas).
Entre as unidades vendidas, 1.943 foram de apartamentos, cerca de 94% do total. O bairro com o maior número de imóveis vendidos foi também o Menino Deus, com 383 unidades, aproximadamente 20% do total.
No mesmo período, o Petrópolis teve 228 unidades vendidas, registrando 12% das vendas totais. Completa o pódio o Auxiliadora, com 198 unidades vendidas e 10% do total na Capital.
Apesar do recuo na comparação semestral, os dados de venda apresentaram melhora no segundo trimestre do ano em relação ao primeiro. Entre abril, maio e junho, foram 1.147 unidades vendidas, aumento de 26% em relação a janeiro, fevereiro e março (912).
Acreditamos que o mercado deva se manter em um patamar similar no segundo semestre, ficando próximo ao número de vendas do primeiro. Por um lado, a taxa de juro vem caindo, o que é benéfico para o poder de compra da população, mas por outro, vem aí um período eleitoral, que sempre agrega incerteza no mercado e pode fazer o consumidor aguardar um pouco mais para fazer um investimento deste porte.
Rodrigo Pavei
Vice-presidente do Sinduscon-RS
Entre os tipos de imóveis vendidos, os studios também lideraram, confirmando a tendência estabelecida. Foram 607 unidades comercializadas, 31% do total.
Os imóveis de três e de dois dormitórios vêm a seguir, com 499 e 441 unidades vendidas, correspondendo a 26% e 23% do total, respectivamente. Outras 361 unidades de apartamentos de um dormitório foram vendidas, chegando a 19% do total, e, por fim, 35 unidades de quatro dormitórios ou mais também foram comercializadas, representando 2% do total.
Em termos do valor geral de vendas dos imóveis (VGV), o Petrópolis lidera o ranking com R$ 356 milhões, 16% do total comercializado, seguido por Bela Vista (R$ 239 milhões) e Menino Deus (R$ 229 milhões). Em relação ao tamanho do imóvel, quem lidera em VGV são são os imóveis de três dormitórios (R$ 1,1 bilhão).