Edifício A Noite revela surpresas escondidas há quase um século durante obra de retrofit

em Diário do Rio / Mercado Imobiliário, 26/outubro

Cores originais da fachada e do teto do térreo foram identificadas durante a reforma; escada em espiral e estruturas da antiga Rádio Nacional também serão preservadas.

Em obras de retrofit, é comum que algumas surpresazinhas apareçam pelo caminho, principalmente quando se trata de uma construção centenária. Pelas bandas da Praça Mauá, não tem sido diferente. Durante a reforma do Edifício A Noite, conduzida pela Azo, foram identificadas as cores originais da fachada e do teto do térreo. Os tons serão preservados e incorporados ao projeto residencial que ocupará a antiga sede da Rádio Nacional e do jornal que dá nome ao prédio. Uma laje de cubetas, sistema estrutural antigo de concreto armado, também foi encontrada e será restaurada.

Em obras de conversão desde 2024, o prédio, inaugurado em 1929 e considerado à época o primeiro arranha-céu da América Latina, vai ganhar 420 estúdios, todos já comercializados. A previsão é que a reforma seja concluída em 2027.

Tombada, a fachada está coberta por cerca de 17 mil m² de tela fachadeira durante os trabalhos de recuperação, acompanhados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH).

Outro ponto que exige cuidado são as cerca de 800 janelas do edifício. A maior parte das esquadrias será substituída devido ao estado de conservação e às exigências de segurança, habitabilidade e manutenção. As exceções são as janelas do 22º andar e do hall de entrada, que serão restauradas. As novas peças serão produzidas sob medida para reproduzir as características originais.

A escada que desenha um N é a grande joia

As surpresas da reforma não se limitam à fachada. No interior, serão mantidas as vigas de concreto dos antigos estúdios da Rádio Nacional e a escada em espiral que liga o primeiro ao 22º andar. Com degraus de mármore e corrimãos de ferro, ela traz a letra “N” em seu desenho, referência ao jornal A Noite. Tanto a escada quanto a estrutura de concreto são tombadas pelo Iphan.

O projeto prevê ainda o Mirante Memória, espaço dedicado à história do edifício e com acesso aberto ao público. Peças antigas encontradas durante a obra que não puderam ser recuperadas também serão reaproveitadas na decoração do residencial.

Da Prefeitura à Brookfield

A venda do imóvel à iniciativa privada ocorreu em 2023. Em março daquele ano, a Prefeitura do Rio comprou o edifício da União por R$ 28,9 milhões, com a intenção de repassá-lo para revitalização no âmbito do Porto Maravilha. Quatro meses depois, o prédio foi arrematado em leilão pelo consórcio QOPP Incorporadora, associado à Azo.

A Azo desenvolveu o projeto de retrofit e conduz as obras, além de responder pela grife do empreendimento. Já a gestora Brookfield adquiriu 97% das unidades, destinadas à moradia e à locação de curta e média duração.

Até agosto, haviam sido concluídas as etapas de demolição, fundação e reforço do corpo principal do edifício. Ao longo da obra, foram retirados 11.800 m³ de entulho, dos quais 650 m³ eram de materiais recicláveis.

Os trabalhos em andamento incluem reforços na parte superior e na base da construção, a execução de duas escadas de incêndio com sistema de pressurização e a instalação dos sistemas dos pavimentos residenciais. Também avançam a divisão dos apartamentos com drywall, a recuperação das fachadas e a instalação dos contramarcos das novas janelas.

Com 23 andares e 102 metros de altura, o edifício foi projetado pelo brasileiro Elisário Bahiana e pelo francês Joseph Gire, também responsável pelo Copacabana Palace.


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