O mercado imobiliário do Recife registrou crescimento de 83% no número de empreendimentos lançados no terceiro trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. No intervalo, a capital pernambucana também ampliou em 44% as vendas de imóveis novos, alcançando 2.481 unidades comercializadas.
O desempenho contrasta com a retração nos lançamentos de empreendimentos na Região Metropolitana do Recife (RMR). Os dados são do levantamento da Brain Inteligência Estratégica, apresentado em parceria com a Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Pernambuco (Ademi-PE) nesta terça-feira (27).
Entre julho e setembro, foram lançadas 2.337 unidades no Recife e 1.780 nos demais municípios metropolitanos, totalizando 4.117 imóveis. As vendas líquidas somaram 4.427 unidades na região, das quais 2.481 na capital e 1.946 na RMR.
Para Leonardo Pessoa de Queiroz, presidente da Ademi-PE, o avanço está relacionado principalmente às políticas habitacionais e às mudanças nas regras urbanísticas da capital.
“A gente pode observar um crescimento alto, expressivo nos lançamentos de imóveis em Recife desde 2023, especialmente os dos programas Morar Bem e Minha Casa, Minha Vida. Desde o lançamento do programa, isso mudou o mercado imobiliário aqui na Região Metropolitana”, afirma.
Habitação econômica ganha protagonismo
O Minha Casa, Minha Vida e o programa estadual Morar Bem estão entre os principais motores dessa transformação. No terceiro trimestre, o segmento econômico respondeu por 65,9% das unidades lançadas no Recife e na Região Metropolitana, segundo a apresentação da Brain. Considerando o volume de vendas, o Minha Casa, Minha Vida representou 57,6% das unidades comercializadas.
Na capital, o desempenho foi ainda mais expressivo. As vendas de imóveis enquadrados no programa federal passaram de 616 unidades no terceiro trimestre de 2025 para 1.463 no mesmo intervalo deste ano, uma alta de 138%. Na Região Metropolitana, o resultado ficou praticamente estável, com avanço de 4%, para 1.442 unidades.
O coordenador de pesquisas da Brain, Antonio Kahtalian, destaca que os imóveis compactos também ganharam espaço entre os lançamentos. Quase metade dos empreendimentos apresentados no Recife e na RMR no trimestre pertenceu a esse segmento, enquanto o padrão médio perdeu participação ao longo dos últimos anos.
“Estamos vendo muito claramente o crescimento da participação dos compactos nos lançamentos, principalmente nos últimos três anos. Ao mesmo tempo, o médio padrão vem perdendo espaço no mercado do Recife e da Região Metropolitana”, afirma Kahtalian. No terceiro trimestre, o Minha Casa, Minha Vida respondeu por 65,9% do total lançado, enquanto os compactos representaram 23,5% e o médio padrão, 9,8%.
Recife concentra lançamentos e vendas
A mudança de dinâmica também aparece na distribuição geográfica do mercado imobiliário. O Recife concentrou 56,8% das unidades lançadas e 56% das vendas líquidas no terceiro trimestre. Os demais municípios metropolitanos responderam por 43,2% dos lançamentos e 44% das vendas.
Na comparação anual, a capital passou de 1.609 unidades lançadas no terceiro trimestre de 2025 para 2.337 em 2026, crescimento de 45% no volume de imóveis. Já a Região Metropolitana saiu de 1.489 para 1.780 unidades, apesar da redução no número de empreendimentos lançados.
Para a Ademi-PE, as mudanças na legislação municipal ajudam a explicar a concentração de novos projetos no Recife. A entidade avalia, contudo, que a diferença pode se ampliar caso os municípios vizinhos não atualizem suas regras urbanísticas.
“Se os municípios da Região Metropolitana não se atentarem, essa capacidade produtiva que estava instalada na região metropolitana será absorvida por Recife. Depois, para retomar todo um setor produtivo nas outras cidades, vai ser mais difícil”, alerta Leonardo Pessoa de Queiroz.
O dirigente defende uma atualização das normas urbanísticas e maior atenção à habitação de interesse social nos municípios metropolitanos, para distribuir melhor os investimentos e evitar a concentração da produção imobiliária na capital.
Estoque cresce e preços avançam
Apesar do aumento das vendas, a oferta de imóveis novos continua elevada. No fim do terceiro trimestre, o estoque disponível somava 12.786 unidades no Recife e na Região Metropolitana, sendo 6.348 na capital e 6.438 nos demais municípios.
Na avaliação de Kahtalian, o crescimento do estoque acompanha o ritmo de lançamentos e vendas, sem indicar, até o momento, uma expansão abrupta. A oferta, porém, aumentou 9% no Recife e 14% na Região Metropolitana em relação ao mesmo período do ano anterior.
“Hoje, o estoque do Recife está na casa de 6,3 mil unidades, com um incremento de 9% em relação ao mesmo período do ano passado. Na Região Metropolitana, o aumento foi um pouco mais expressivo, de 14%. É um crescimento que precisa ser analisado em conjunto com o ritmo de lançamentos e vendas do mercado”, afirma Kahtalian.
Os apartamentos de dois dormitórios concentram a maior parte das unidades disponíveis: representam 52,1% do estoque da capital e 61,8% na Região Metropolitana. A preferência por imóveis menores também aparece nos resultados por metragem. Unidades de 41 a 50 metros quadrados responderam por 50,4% dos lançamentos e 36,6% das vendas no trimestre.
O levantamento também identificou valorização dos imóveis na capital. O preço médio do metro quadrado no mercado primário do Recife cresceu 4,3% em um ano, chegando à faixa de R$ 11,8 mil a R$ 11,9 mil. Entre os apartamentos de um dormitório, a alta anual foi de 14%, com o metro quadrado próximo de R$ 16,9 mil.
