Segurança jurídica: condição indispensável para o desenvolvimento do Rio

em 5/junho

O Rio de Janeiro vive um momento decisivo para o seu futuro. Depois de anos de discussões, estudos técnicos e ampla participação da sociedade, a cidade aprovou um novo Plano Diretor que estabeleceu diretrizes claras para o crescimento urbano, a revitalização de áreas degradadas e a ampliação da oferta habitacional. Trata-se de uma legislação construída de forma democrática, transparente e participativa, justamente para oferecer previsibilidade aos cidadãos, aos investidores e ao poder público.

Por isso, causa preocupação o crescente ambiente de insegurança jurídica que vem se instalando em torno de empreendimentos regularmente licenciados e aprovados pelos órgãos competentes.

Nos últimos meses, projetos que seguiram todos os trâmites legais exigidos pela legislação urbanística municipal passaram a ser alvo de questionamentos e tentativas de embargo, mesmo após a obtenção das licenças necessárias. Casos como os empreendimentos Symphony Residences, no antigo Colégio Bennett, no Flamengo; Gavi, na Gávea; o projeto ao lado do Alphaville, na Barra da Tijuca; TAO, no Humaitá; e Redentor, em Ipanema, ilustram uma situação que vem gerando apreensão em todo o setor produtivo.

É importante lembrar que as regras que orientam o atual modelo de licenciamento urbanístico foram amplamente debatidas durante a elaboração do Plano Diretor. Foram realizadas 38 audiências públicas na Câmara Municipal, além de reuniões técnicas, consultas à sociedade civil, participação de especialistas e discussões com diversos segmentos da população. Ao final desse processo, consolidou-se um conjunto de normas que passou a nortear a atuação do município e a orientar decisões de investidores e empreendedores.

Quando um empreendimento é aprovado dentro das regras vigentes, obtém licenças, contrata trabalhadores, movimenta fornecedores e inicia suas obras, cria-se uma legítima expectativa de segurança jurídica. Essa previsibilidade é fundamental para qualquer ambiente de negócios saudável. Sem ela, perde-se a confiança necessária para atrair investimentos, gerar empregos e promover o desenvolvimento econômico.

A questão, no entanto, vai além do setor imobiliário. A insegurança jurídica afeta toda a cidade. Cada obra interrompida representa menos empregos, menos arrecadação de impostos, menos atividade econômica e menos oportunidades para milhares de famílias. Afeta também a renovação urbana, a recuperação de áreas degradadas e a ampliação da oferta de moradias, temas fundamentais para uma metrópole que busca se reinventar e crescer de forma sustentável.

Há ainda outro aspecto igualmente relevante. O mesmo ambiente de incerteza que hoje atinge novos empreendimentos pode alcançar milhares de famílias que buscam regularizar seus imóveis por meio das legislações aprovadas pelo município. Se normas amplamente discutidas e legitimamente aprovadas passam a ser constantemente questionadas após sua implementação, cria-se um cenário de instabilidade que afeta não apenas investidores, mas também cidadãos que desejam exercer seus direitos com segurança.

Defender a segurança jurídica não significa impedir o debate, a fiscalização ou o aperfeiçoamento das leis. Pelo contrário. O debate democrático é saudável e necessário. O que se espera é que as regras sejam respeitadas e que eventuais mudanças ocorram pelos canais institucionais adequados, preservando direitos adquiridos e a confiança legítima daqueles que agiram em conformidade com a legislação vigente.

O Rio de Janeiro reúne hoje condições únicas para avançar. A revitalização do Centro, os investimentos em infraestrutura, o fortalecimento do turismo, os novos projetos habitacionais e o ambiente de retomada econômica apontam para um futuro promissor. Para que esse ciclo positivo se consolide, é indispensável garantir estabilidade regulatória, previsibilidade e respeito às decisões tomadas dentro da legalidade.

A cidade precisa continuar atraindo investimentos, gerando empregos e ampliando oportunidades. E isso somente será possível em um ambiente onde a segurança jurídica seja tratada como um valor fundamental para o desenvolvimento econômico e social.

O futuro do Rio depende da confiança nas instituições, no planejamento urbano e no respeito às regras democraticamente construídas.


Leonardo Mesquita é presidente da ADEMI-RJ, Cláudio Hermolin é presidente do Sinduscon-Rio