A imagem que vale ouro na hora de valorizar um imóvel
em Veja Negócios, 1º/abril
Prédios residenciais e comerciais estão se transformando em mini-galerias de arte.
Com a proximidade da abertura as 21ª edição da SP Arte, a maior feira de arte da América Latina (o evento começa amanhã, quarta-feira, dia 2 de abril, no Pavilhão da Bienal, no Parque Ibirapuera), cada vez mais, o mercado imobiliário tem percebido que a arte tem um papel fundamental na valorização das propriedades, agregando não apenas valor, mas proporcionando uma experiência única aos moradores. Empreendimentos como o badalado Cidade Matarazzo, na capital paulista, ou os projetos da jovem incorporadora paulista MOS, dão destaque para a curadoria de arte, com programação de visitas a galerias e exposição de obras de artistas consagrados em suas áreas comuns.
Dentro desse rico universo, a fotografia é uma das manifestações artísticas que vem ganhando espaço no mercado imobiliário. Um grande fotógrafo não é um mero captador do que enxerga à sua frente, mas, sim, um criador de uma narrativa visual própria, por meio das suas escolhas técnicas, artísticas e das suas histórias individuais, que se misturam ao resultado.
Cada vez mais imóveis residenciais e comerciais estão investindo em fotografia. Com isso, vão surgindo nesses espaços mini-galerias para a exposição de imagens. Um dos fotógrafos mais valorizados pelo mercado imobiliário é o baiano Lucas Ferraz, mais conhecido como Kiolo. Curiosamente, a origem profissional dele não é a fotografia. Ele era um designer gráfico, que exerceu essa atividade por mais de uma década, até se entregar de vez ao mundo das imagens.
O casamento com o mercado imobiliário se deu através de uma sacada, talvez vinda dos aprendizados de marketing da faculdade ou da sua natureza comercial, quando ele decidiu postar suas obras nas redes sociais inseridas em ambientes de imóveis. Essa ação, hoje comumente usada, chamou atenção dos profissionais do mercado e, na edição de 2016 da Casa Cor São Paulo, vitrine de tendências da arquitetura e decoração para todo o Brasil, o ambiente assinado pelo arquiteto conterrâneo David Bastos levava 24 obras de Kiolo. A partir daí, ele deixou de ser um fotógrafo da Bahia e passou a ter relevância nacional, com seus quadros nas casas dos artistas e endinheirados de todo país.
Questionado sobre os valores de uma fotografia assinada por ele, Kiolo desconversa. Numa pesquisa entre especialistas e compradores, é comum encontrarmos negociações de 20 000 a 40 000 reais por obra. Os projetos personalizados alcançam cifras ainda maiores, como deve ter sido o caso de um apartamento em Higienópolis, bairro da capital paulista, que recebeu uma composição de diversas telas na ampla parede. Com seu jeito simpático e simples, que destoa do imaginário que temos de artistas famosos, Kiolo diz que se enche de orgulho em fazer parte da vida das pessoas, em suas residências, escritórios ou casas de praia e acredita que a arte traz personalidade aos ambientes, por sua exclusividade. Um imóvel com uma obra de arte, é um imóvel com alma.
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