Apartamentos grandes e supermercado no térreo: antigo prédio da Caixa Econômica vai virar residencial no Rio

em Extra / Rio, 29/agosto

Gigante de 31 andares está adormecido desde 2018, quando o banco deixou o prédio, na Avenida Rio Branco, coração financeiro da cidade.

Quatro anos após o início do Reviver Centro, o bairro começa a ganhar pouco a pouco aquele perfil que inspirou o projeto: novos moradores, comerciantes e atividades para fazer a região voltar a pulsar. A mais recente novidade é a promessa de repaginar um gigante praticamente adormecido desde 2018, quando a Caixa Econômica Federal deixou o prédio de 31 andares na Avenida Rio Branco, o coração financeiro da cidade. Na quarta-feira, a prefeitura recebeu um pedido de licença para retrofitar e converter em residencial o Edifício Almirante Barroso. A diferença de outros lançamentos na área é que este também terá apartamentos maiores, de até três quartos, com 96 metros quadrados, em vez de só estúdios. E prevê ainda um atrativo inédito: a instalação de um supermercado no térreo.

— O perfil dos futuros moradores será de classe B. A ideia é ter no Centro um residencial com padrão dos condomínios da Barra da Tijuca, com total infraestrutura, incluindo piscina e academia de ginástica. O antigo cinema que existia no local será recuperado, ficando exclusivo para os moradores. A proposta também é integrar todo o entorno. No período em que a Caixa ocupou o imóvel, havia apenas um acesso pela Almirante Barroso. Vamos criar entradas em todo o quarteirão conectando o Largo da Carioca, a Avenida Rio Branco e a estação do metrô. Vamos reformar também os acessos públicos à estação — disse o empresário Raphael Nigri, da Nigri Incorporadora, um dos responsáveis pelo projeto.

Além do supermercado, uma reivindicação de novos moradores do bairro, o prédio terá dois restaurantes, sendo um deles no rooftop, com vista para a Baía de Guanabara. O imóvel pertence hoje a um fundo gerido pela Afira Investimentos e administrado pela Actual DVTM. Quando a licença sair, o empreendimento, que poderá ter até 1.070 apartamentos, vai ser tornar o maior residencial do Reviver Centro até agora, superando o projeto vizinho no Buraco do Lume, com 720 unidades. O preço de venda ainda está sendo definido. As 250 vagas de garagem que eram usadas pelos funcionários da Caixa serão vendidas à parte.

Tudo perto

O propósito maior dos residenciais no Centro é oferecer acesso fácil a transporte público, lazer e serviços a poucos metros. A menos de dez minutos a pé do Buraco do Lume e do Edifício Almirante Barroso, por exemplo, fica o Sesc Ginástico, tradicional teatro com 400 lugares, que deve ser reaberto na Avenida Graça Aranha em dezembro após três anos de obras. O prédio vai abrigar, além do teatro, uma piscina semiolímpica, praça pública e cafeteria na cobertura, cinema ao ar livre, quadra poliesportiva, restaurante e galeria de exposições.

Outra opção de lazer no radar é o Museu do Café, que terá seu soft opening em dezembro no sobrado na Rua do Ouvidor onde por décadas funcionou o restaurante Geraes.

— Em dezembro já teremos alguns eventos. A ideia é abrir todo o acervo no Dia Nacional do Café, em 24 de maio. Será um museu que mostrará a importância que o café teve na própria história do Rio. A primeira lavoura de café do país foi plantada em terrenos que hoje fazem parte da Floresta da Tijuca — conta Cristiano Mendonça, responsável pelo projeto.

Outros serviços também estão voltando ao bairro, como o campus da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), na Rua do Rosário, como revelou esta semana a Coluna Capital, do GLOBO. A unidade está fechada há quatro anos devido ao impacto da pandemia de Covid-19. A partir de fevereiro de 2026, serão oferecidos quatro cursos de perfil técnico, presenciais, com duração de dois anos. A previsão é que o espaço receba 300 novos alunos por ano, movimentando aquele trecho do bairro.

A médio prazo, tem ainda o prédio da sede da Petrobras, na Avenida Chile, que passa por um retrofit, com previsão de entrega para 2027.

Ainda sobre o Edifício Almirante Barroso, a previsão de Raphael Nigri é que, após a emissão da licença, as obras sejam concluídas em um ano e meio. Construído em 1957, o arranha-céu foi sede da Caixa até 2018, quando o banco se mudou para a Rua das Marrecas e o imóvel passou para a gestão do BTG Pactual, que, por sua vez, o repassou para o atual responsável.

— Um residencial neste prédio era a única saída. Desde que a Rio Branco foi fechada para a implantação do VLT, o movimento caiu e, com a pandemia, só piorou — disse o jornaleiro Adriano da Silva, de 42 anos, que trabalha numa banca em frente ao Edifício Almirante Barroso .

A ambulante Rosângela Barbosa, de 53 anos, que tem um ponto em frente à banca de Adriano, gostou da novidade:

— O home office ajudou a esvaziar o Centro. Novas moradias podem trazer um público mais diversificado. Mas, se estamos no Centro, o comércio também não pode ser deixado de lado.

Stephane Fioravanti, de 32 anos, que trabalha no bairro, destaca que, apesar de observar a reabertura de pontos comerciais, é preciso pensar nos detalhes para atrair novos moradores:

— A segurança pública ainda tem que melhorar, e o Centro também carece de comércios, como supermercados.

Movimento maior

As novidades também foram bem recebidas por quem já investe no Centro. Um dos desbravadores dessa nova fase foi o cantor Marcelo D2, que desde janeiro de 2024 comanda o Ocupação Iboru, em um casarão na Rua Sete de Setembro voltado para rodas de samba. O espaço já chegou a reunir seis mil pessoas ao longo de um dia. Ele abriu o local antes mesmo de a prefeitura lançar editais com subsídios para o Reviver Cultural, para o qual também se habilitou.

— Em 2024, o Centro era um deserto. A gente pedia ajuda à prefeitura para garantir a segurança do público que se deslocava do Iboru para o metrô. Hoje, há muito mais movimento. Aos sábados, muita gente faz várias programas ao longo do dia. Começa na Feira de Antiguidades da Praça Quinze e depois vem curtir a casa — disse D2.

Mas ainda há desafios para consolidar essa transformação. Assim como outros produtores culturais, D2 diz que o domingo ainda é um problema. A casa só funciona de quarta a sábado, de meio-dia às 20h.


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