Ipanema: Famosas casas mal-assombradas da Rua Saddock de Sá são demolidas e terreno deve virar novo empreendimento
em Diário do Rio, 27/agosto
Construídas entre os anos 1940 e 1950, as construções chegaram a ter proteção do município em 2003, quando foram incluídas no Sítio Cultural de Ipanema.
As famosas casas mal-assombradas da Rua Saddock de Sá, em Ipanema, já não existem mais. O conjunto de construções em ruínas, que durante décadas alimentou histórias de medo e curiosidade na vizinhança, foi demolido há algumas semanas. Conhecidas como parte de um “quarteirão do terror”, as casas ficavam ao redor da Praça Fernando Torres e contrastavam com a arquitetura do bairro.
O terreno dará espaço a um empreendimento da construtora Engeziler, que adquiriu as propriedades e atua desde a década de 80 na Zona Sul. O pedido de licenciamento para a construção de um prédio foi enviado à Prefeitura do Rio desde o ano passado.
Construídas entre os anos 1940 e 1950, as construções chegaram a ter proteção do município em 2003, quando foram incluídas no Sítio Cultural de Ipanema — algo que pode ter perdido valor em 2022, após alguns trâmites com o IRPH. As casas estavam bem degradadas, com janelas prestes a cair, telhados cobertos por plantas e umidade que exalava cheiro. Para alguns, era risco sanitário; para outros, a presença fantasmagórica quebrava em certo ponto a “monotonia” da vizinhança.
As lendas que rondavam o lugar ajudaram a manter sua aura. A mais famosa é a da passageira de branco que teria saído de lá para um táxi rumo ao Cemitério São João Batista. A história repetida fala de um motorista que parou na esquina da Rua General Polidoro para deixar a cliente. Ao se virar para receber o pagamento, encontrou apenas a porta aberta e um vestido branco sumindo na noite fria.
Boom imobiliário em Ipanema
Um levantamento inédito do Sinduscon-Rio em parceria com a Brain Inteligência Estratégica mostra que Ipanema registrou um crescimento de 294% nos lançamentos residenciais entre 2022 e 2024. A média anual saltou de 63 unidades no triênio 2019–2021 para 214 nos últimos três anos. Só até maio de 2024, foram lançadas 135 unidades, mais do que o triplo do Leblon (32) e muito acima de Gávea, Jardim Botânico e Lagoa, que não tiveram nenhum lançamento.
No acumulado do ano, Ipanema soma 254 novas unidades, contra 89 no Leblon. A alta demanda segue firme mesmo com preços em constante valorização. Incentivos da Prefeitura, como o programa Reviver Centro e o Mais-Valerá, que ampliam o potencial construtivo e flexibilizam regras urbanísticas, ajudam a explicar a escalada.
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