Chegada de novos moradores muda o perfil do Centro

em Extra - Morar Bem, 30/março

Foram 13 empreendimentos lançados na região desde o início do Reviver Centro, o que significa mais de 2,8 mil novas unidades residenciais.

Passados quatro anos do lançamento do programa Reviver Centro, a região central do Rio continua ganhando novos empreendimentos residenciais e já recebe os primeiros moradores, transformando sua ocupação. Nos próximos 12 meses, seis mil pessoas passarão a viver ali e, até 2027, a previsão é que esse número seja duplicado, segundo dados do Sinduscon-Rio.

Desde a implementação da segunda fase do programa, em 2023, 47 projetos foram licenciados ou estão em processo de aprovação. Ao todo, 13 já foram lançados, o que significa mais de 2,8 mil novas unidades residenciais. De lá para cá, foram vendidas 2,24 mil unidades — 65% para moradores finais e 35% para investidores.

— A requalificação da região vai contribuir para reduzir os deslocamentos de 3,6 mil pessoas, com impacto no trânsito e no transporte público, promovendo uma cidade mais acessível e equilibrada — destaca o presidente do SindusconRio, Claudio Hermolin.

Segundo ele, a previsão é que sejam lançados no Centro cinco novos projetos até dezembro deste ano, totalizando mais de 1,8 mil unidades que levarão cerca de 9,5 mil moradores à região — que é a terceira da cidade com maior volume de lançamentos e vendas.

— Antes da pandemia, o sindicato identificou cerca de quatro mil imóveis vazios ou abandonados na região central, que tinha recebido apenas dois lançamentos residenciais nos cinco anos anteriores ao Reviver Centro, de maio de 2021. A região não figurava sequer entre os 15 bairros da cidade com mais lançamentos — informa.

Um dos cases de sucesso do Centro foi o Bueno Studios Lifestyle, na Rua Buenos Aires, que teve as 121 unidades vendidas em apenas 24 horas no ano passado. O projeto é um retrofit da Calçada Empreendimentos Imobiliários.

— A velocidade das vendas demonstra o sucesso dessas ações e reforça a crescente demanda por imóveis bem localizados e alinhados com a nova dinâmica urbana do Centro do Rio — ressalta João Paulo Mattos, presidente da construtora.

O retrofit do Sal Residencial é outro caso bem sucedido: está com 90% das unidades já comercializadas. O projeto é o primeiro da CTV na região, que pretende lançar, no segundo semestre, um condomínio de estúdios na planta, na Rua do Acre.

— Lançar projetos na planta no Centro do Rio é um desafio em função da escassez e do custo dos terrenos, além das restrições legais. Mas há espaço para soluções criativas com planejamento estratégico e inovador — explica Guilherme Mororó, diretor Comercial e de Marketing do Grupo CTV.

Pioneira no processo de reocupação do Centro, a Cury deve concluir neste ano as obras do Vargas 1140, na Avenida Presidente Vargas, segundo Leonardo Mesquita, vice-presidente da construtora, que apostou forte na Região Portuária nos últimos anos.

— Continuamos estudando novas áreas no Centro, mas é um desafio encontrar terrenos disponíveis com dimensões para comportar residenciais de médio ou grande porte e que não tenham impedimentos judiciais.

A Construtora Calper entrou na região por meio do programa Reviver Centro 2 e, no segundo semestre, deve lançar um projeto na Avenida Presidente Vargas e outra em Santo Cristo.

— O maior avanço do programa foi liberar a construção de unidades compactas, o que não era possível em mais de 40 anos — diz Ricardo Ranauro, CEO da Calper.

No final de abril, a RJDI Desenvolvedora e a W3 Engenharia vão lançar um residencial com estúdios e apartamentos de dois quartos no Bairro de Fátima. A empresa continua a estudar oportunidades na região, segundo o sócio Jomar Monnerat.

— O Centro tem atraído investidores, além de moradores finais. É possível que nos próximos anos a região tenha mais moradores que investidores — diz.

Legislação impulsionou os novos lançamentos

Para o mercado, ainda há espaço para melhorar a lei e dar novo impulso à região

O programa Reviver Centro e o novo Plano Diretor do Rio foram fundamentais para o avanço de novos empreendimentos na região central da cidade, segundo construtoras que têm negócios no bairro. No entanto, ainda há espaço para melhorias na legislação, de modo a impulsionar ainda mais a revitalização da área.

Guilherme Mororó, diretor Comercial e de Marketing do Grupo CTV — uma das construtoras que têm investido na região —, afirma que a região precisa contar com incentivos fiscais mais sedutores para atrair pequenos e inovadores negócios e se tornar um verdadeiro hub de empreendedorismo.

— É hora de expandir as oportunidades tanto comerciais quanto habitacionais, garantindo lares modernos e acessíveis para todos — defende.

Para o CEO da Calper, Ricardo Ranauro, há espaço para ajustes na legislação, especialmente em relação à metragem mínima das unidades residenciais. Segundo ele, o objetivo é atender uma gama maior de pessoas. Ele destaca que a legislação carioca determina o limite de 25 metros quadrados, enquanto a de São Paulo permite projetos com área de 15 metros quadrados.

— Flexibilizar esses parâmetros permitiria oferecer opções mais acessíveis para a população e alinhadas às novas tendências de moradia urbana — explica.


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