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Com Cyrela (CYRE3) em destaque, Santander diz que nem tudo é negativo no mercado imobiliário brasileiro
em Valor Investe, 6/fevereiro
Juros mais altos ampliam a seletividade do financiamento dos bancos, o que deve levar as empresas com forte execução e balanço patrimonial a ganhar ainda mais de mercado, diz o banco
A forte desvalorização do real no início do ano e os custos de financiamento mais elevados estão entre as variáveis macroeconômicas que podem tornar 2025 um ano difícil para as construtoras no Brasil. No entanto, nem tudo é negativo sobre o mercado imobiliário brasileiro, na avaliação do Santander. Os baixos níveis de estoque em mercados fundamentais para a atividade e as condições de acessibilidade no âmbito do Minha Casa Minha Vida (MCMV) são notícias positivas para as empresas cotadas em bolsa. Nesse cenário, o banco tem uma nova ação de preferência no setor.
Em relatório assinado por Fanny Oreng, Antonio Castrucci e Matheus Meloni, o banco justifica a escolha de Cyrela como a ação principal entre os construtores de imóveis por entender que os níveis de avaliação atuais já incorporam a desaceleração projetada para o mercado imobiliário de renda média/alta. Para a equipe, a avaliação sobre os papéis é "excessivamente descontada", com as ações sendo negociadas e 4,3x o preço sobre o lucro (P/L) estimado para 2025.
O banco projeta o retorno sobre o patrimônio (ROE) em cerca de 19% em 2025 (frente a 17,5% nos últimos doze meses).
Para o Santander, mesmo num cenário em que parte de matérias-primas do Índice Nacional de Custo de Construção (INCC) deverão ser pressionadas pela forte deterioração do real, e os custos de financiamento estão mais elevados, tanto para empréstimos à construção de empresas e para pessoas físicas, os baixos níveis de estoque na cidade de São Paulo para os segmentos de baixa renda e média/alta renda são pontos em favor da construtora.
Além disso, entre alguns aspectos positivos sobre o mercado imobiliário brasileiro, há uma forte regulamentação, protegendo as empresas de uma onda de cancelamento de vendas. As condições de acesso ao Minha Casa Minha Vida (MCMV) também sustentam uma forte demanda. "A seletividade do financiamento dos bancos deve levar as empresas com forte execução e balanço patrimonial a ganhar ainda mais de mercado, o que é um bom presságio para Cyrela, Direcional e Cury", acrescetam.
Sobre Direcional e Cury, o relatório menciona que continua mantendo a preferência por ambas no segmento de baixa renda, refletindo uma combinação de avaliação atrativa (em base absoluta); mais forte rendimento de dividendos; liquidez das ações acima da média; e balanços sólidos.
Ver online: Valor Investe